Ana Carolina Moreno

Portfólio on-line

Com internet, turistas viajam mais e gastam menos

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Ana Carolina Moreno
(Terra Magazine – 13/06/2006)

mundanos.com.br/divulgação
mundanos.com.br/divulgação

Pessoas com espírito aventureiro, que colocam algumas trocas de roupa na mochila e saem pelo mundo com muita coragem e pouco dinheiro não são novidade. Agora, porém, quem está infectado pelo vírus da viagem vem recebendo auxílio da internet para visitar um país desconhecido de maneira barata: comunidades virtuais de pessoas interessadas em hospedar turistas e serem hospedadas em troca.

Um dos mais populares sites com esse propósito é o Hospitality Club (Clube da Hospitalidade), criado em julho de 2000 por Veit Kühne, um ex-intercambista alemão. Com quase 150 mil membros de mais de 200 países, atualmente é a principal comunidade, operada apenas por voluntários e sem cobrança para os participantes.

Outro grupo que segue a mesma filosofia é o Couch Surfing Project (ou Projeto Surfando no Sofá), fundado pelo americano Casey Fenton e com quase 85 mil membros. Também gratuito, o projeto se financia pedindo doações voluntárias dos participantes e vendendo produtos pela internet, e alega já ter promovido mais de 37 mil experiências bem sucedidas para seus surfistas.

Menos popular, com cerca de 30 mil membros, é o Global Freeloaders, comunidade que, no próprio site, denomina-se grupo de “pessoas que se beneficiam da caridade, generosidade e hospitalidade de outros”. Quem iniciou o site foi Adam Staines, da Austrália. Em seu grupo, porém, hospedar é um requerimento. “Peço que você retribua ao site o que você pegou. Se você visitou 20 membros, espera-se que acomode outros 20 membros, no período de tempo mais conveniente para você”, escreve Adam, na página de informações aos novos membros.

O cadastramento é similar para todos. Basta ler os procedimentos e efetuar a inscrição, com seu nome, localidade e e-mail para contato. Existem ainda as opções de adicionar fotos, informações pessoais, interesses e histórico de viagens. O usuário pode escolher tornar visível seu endereço e telefone, ou repassá-los aos interessados em visitá-lo. Mas, ainda que a acomodação gratuita seja o carro de frente destes sites, o objetivo é outro.

“O Hospitality Club quer unir pessoas. Não somos um clube de estudantes ou de mochileiros, nosso membro mais velho tem 96 anos, e o mais novo tem 4. Temos médicos, professores universitários e especialistas em tecnologia da informação”, conta Florian Käfer, estudante de administração de turismo internacional na Alemanha e Inglaterra, e coordenador de mídia do clube.

Há quatro meses, Annette Showell-Moosbrugger se tornou mais uma dos cerca de 3000 residentes de Berlim que participam da comunidade. Com 55 anos e 18 meses de período sabático, ela se dedica atualmente à sua grande paixão: viajar. Depois de passar por Portugal, Espanha, Holanda, Finlândia e outras cidades da Alemanha, ela se prepara para hospedar, na próxima semana, um casal de sul-coreanos de 69 anos.

“Tenho amigos do mundo inteiro e sempre viajei. Mas o Hospitality Club facilita as coisas, com a internet e uma rede de membros”, explica Annette, que tem dois filhos e é divorciada. A ferramenta é atrativa não só para turistas com restrições orçamentárias, mas também para quem quer conhecer uma cultura com quem mais entende dela: os moradores locais.

“É uma maneira alternativa de viajar”, segundo Florian, “porque você pode conhecer pessoas locais e ficar com uma impressão do país completamente diferente de um turista. Quando você fica em albergues, você vai conhecer só turistas dos mesmos países industrializados, mas raramente vai experimentar o verdadeiro estilo de vida do lugar onde está”.

Saiba mais: www.hospitalityclub.org / www.couchsurfing.com / www.globalfreeloaders.com

Como entrar para o clube
Para se tornar um membro do Hospitality Club, basta entrar no site e se cadastrar. Os organizadores não cobram qualquer valor ou obrigação. “Você nem precisa hospedar alguém, apenas compartilhar a idéia da hospitalidade”, afirma Florian. No seu perfil, você pode revelar ou não seu endereço, telefone e e-mail. Também é possível adicionar fotos e outras informações, como sua formação, interesses e países visitados.

O usuário também define suas regras de acomodação. Explica se mora sozinho ou com outras pessoas, se pode hospedar ou apenas oferecer um jantar ou passeio pela cidade, e com que antecedência um visitante precisa entrar em contato. Em sua página, há ainda uma lista de pessoas que já o hospedaram ou foram hospedadas por ele, e outros usuários também podem registrar sua confiança nesse membro, como uma espécie de recomendação.

Além de procurar perfis, os membros podem se comunicar em uma sala de bate-papo e um fórum de discussões no próprio site. Periodicamente, são realizados grandes eventos. Em 3 de junho, cerca de 15 pessoas de cinco países se encontraram no Rio de Janeiro e, no último sábado, mais de 500 membros se reuniram em Berlim. Os encontros são realizados para incentivar a integração dos associados e diminuir a distância provocada pelo relacionamento virtual. “É como encontrar grandes amigos”, explica a alemã Annette.

A segurança, tanto do visitante quanto do hospedeiro, é uma preocupação de comunidades desse tipo. “Mesmo com mais de 100 mil membros e sem experimentarmos qualquer problema, aprendemos bastante sobre os riscos potenciais”, conta o francês Jean-Yves Hégron, um dos programadores do site. A regra seguida pelos membros é a verificação dos dados do passaporte do visitante.

O brasileiro Allan Vasconcellos, que já foi hospedado por mais de 30 membros do clube, afirma nunca ter ouvido histórias de experiências ruins em termos de segurança, apenas problemas normais de relacionamento entre visitante e hospedeiro. “Já ouvi dizer que algumas pessoas são mais espaçosas e sem noção, e acabam agindo de forma mais folgada”, diz.

Brasileiros são a sétima maior comunidade
Com imensa maioria de usuários alemães, e grande parte de europeus e norte-americanos, o Hospitality Club também tem sua cota de brasileiros, que ocupam a sétima posição em número de membros, mais de 5000. Allan Vasconcellos, de 26 anos, é um deles.

Associado do clube há cerca de dois anos, ele conta que já recebeu diversos viajantes em sua casa no Rio de Janeiro – a última foi uma inglesa, na semana passada -, e que já foi hospedado por mais de 30 pessoas no mundo todo. A primeira vez em uma viagem de dois meses na Europa, em 2004, e a segunda foi em uma volta ao mundo para 20 países, entre julho de 2005 e abril de 2006.

“Os lugares mais difíceis de chegar são os que têm menos membros, como Bolívia e Peru, ou alguns países da Ásia”, conta. “Na Europa, é muito fácil, assim como no Sudeste Asiático.” Ele calculou que, só na última viagem, que durou dez meses, a economia com acomodação foi de US$ 1200 a US$ 1500.

Essa não é a única vantagem que ele diz ter ganho ao utilizar o clube. “O mais importante é a chance de conhecer pessoas locais. Você tem um insight maior da cultura, de como as pessoas vivem, além de ter o melhor guia da cidade.” Ele só tem boas memórias dos momentos que passou na casa de estranhos do mundo todo. “Só 20% foram boas. O resto das experiências foi excelente.”

Uma das mais memoráveis aconteceu durante os jogos olímpicos de Atenas, em 2004. “Escrevi para várias pessoas da Grécia três meses antes. Só uma menina respondeu. Ela me disse que estava viajando pela América do Sul por oito meses e não estaria em sua casa, mas como tinha sido muito bem recebida na viagem, resolveu deixar minha amiga e eu ficarmos lá sozinhos. A vizinha abriu a porta pra gente e passamos dez dias lá. Economizei 400 euros, que era o valor mais barato que eu pagaria por hospedagem em Atenas”, lembra.

Escrito por anarina

Maio 27, 2007 em 5:55 pm

Publicado em Mundo, Portfolio, Terra_Magazine

Timor Leste, violência de novo

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Ana Carolina Moreno
(Terra Magazine – 01/06/2006)

Rosely Forganes/divulgação
Rosely Forganes/divulgação

Entre 1975 e 1999, o Timor Leste esteve sob domínio da Indonésia, num processo que resultou em 300 mil mortos e na total destruição do país, quando os timorenses votaram em favor da independência. Agora, o país mais pobre da Ásia, depois de três anos governado pela ONU e quatro com seu próprio governo, ainda não conseguiu aliviar o sofrimento da população e encontra-se mergulhando em mais um episódio de violência, que já tirou a vida de dezenas de pessoas. Os obstáculos a serem enfrentados esbarram em corrupção enraizada, conflitos regionais e interesses internacionais.

A correspondente internacional Rosely Forganes foi a primeira brasileira a entrar no Timor Leste em 1999, antes mesmo do Exército. Seu trabalho no país lhe rendeu o prêmio Vladimir Herzog de Jornalismo e Direitos Humanos e as medalhas Mídia da Paz e Ordem do Mérito Militar. Rosely é autora do livro “Queimado queimado, mas agora nosso. Timor, das cinzas à liberdade”, que fala sobre a libertação e reconstrução do Timor Leste.

Qual foi o estopim da onda de violência?
Há cerca de três semanas, 580 soldados assinaram um manifesto denunciando a discriminação, pelos timorenses loromono, do oeste, contra os lorosae, do leste do país. A atitude do primeiro ministro Mari Alkatiri foi demitir todos eles, e então esses dissidentes começaram a atacar prédios do governo.

Quem são os loromono e os lorosae?
Os dois grupos têm uma rivalidade histórica há mais de 500 anos, mas não há diferença cultural ou étnica entre eles, apenas geográfica. O atrito começou no modo em que as duas regiões reagiram à ocupação portuguesa. Com a invasão da Indonésia, em 1975, os dois grupos ficaram do mesmo lado, já que ambos levavam bala dos indonésios.

Por que a situação atual fugiu do controle?
Depois de um tempo, não se sabia mais quem estava atacando. A polícia atacava o Exército, o Exército atacava a polícia, e gangues ligadas a artes marciais aproveitaram a situação para incendiar e pilhar lojas e prédios.

Como a comunidade internacional está ajudando?
A Austrália anunciou o envio de 1300 soldados e Nova Zelândia, Malásia e Portugal enviarão 150 cada. O problema é que os exércitos saíram cedo do país depois da ocupação da ONU, em 1999, e da eleição de 2002. O próprio Kofi Annan, Secretário Geral da ONU, admitiu isso. Um dos últimos a sair foi o Brasil, em maio de 2005. Mas, agora, os primeiros 700 soldados australianos que chegaram no Timor não estão fazendo nada. Eles têm conhecimento da região e do terreno, e têm armamentos pesados, inclusive tanques. Foram aplaudidos quando chegaram, mas foram incapazes de impedir a pilhagem de um armazém de arroz que foi atacado na frente deles. Mas a Austrália tem seus próprios interesses no Timor.

Que interesses são esses?
Nas águas entre Timor e Austrália, existem poços de petróleo. Os australianos exploram essas águas há anos, e antes dividiam o petróleo com os indonésios. Em 1999, quando a Indonésia perdeu todos os seus direitos no Timor, a Austrália passou a explorar o petróleo sozinha, e dá uma parte disso ao Timor só se quiser, de caridade e sem nenhuma obrigação. Todos os especialistas afirmam que aquelas águas pertencem ao Timor, mas a Austrália se recusa a admitir o cálculo, e também não aceita a arbitragem de uma corte internacional. O Bush esteve na região há uns dois ou três anos e disse que a Austrália era o xerife da região. Ninguém falou nada contra esse comentário.

Qual o impacto disso na economia timorense?
O petróleo é a única riqueza que eles têm. Não existe indústria ou turismo, e as pessoas vivem principalmente de agricultura de subsistência. Nas cidades, o desemprego é alto. O dinheiro do petróleo que vem da Austrália é depositado em uma conta e só uma parte é aplicada na economia, para que o dinheiro possa durar 50 anos, já que não se sabe quando a Austrália enviará mais. O salário médio da população é US$ 80.
Desde 2002, o país e suas instituições foram reconstruídos, mas a qualidade de vida da população não melhorou. Só existe uma universidade pública, com 5 mil estudantes, e eles querem reduzir esse número. E abriram 16 faculdades particulares, cobrando US$ 10 ou US$ 20 por mês e ensinando direito indonésio, por exemplo, que não se aplica no Timor, país que nem código civil tem ainda.
Os jovens, então, não têm nenhuma perspectiva de vida, e a população cresce muito. Timor Leste é o país com a maior taxa de natalidade: oito filhos por mulher. E é o país mais pobre da Ásia, e nisso estou incluindo Camboja e Bangladesh.

Qual a situação dos brasileiros que estão lá?
No Timor, não se atacam estrangeiros por eles serem estrangeiros. Inclusive, eles são protegidos até demais, na minha opinião. Existem cerca de 200 brasileiros lá, mas muitos estão sendo retirados. Funcionários da ONU foram retirados porque têm de obedecer ordens. Professores da Capes foram evacuados para a Austrália contra sua vontade. Dos 200, três ficaram no Timor, e vão ter de assinar um documento isentando o Brasil de responsabilidade por qualquer acontecimento. Ficaram também os voluntários e missionários evangélicos e católicos. Nós temos um grupo de e-mails e conversamos todos os dias.

Existe acesso à internet mesmo com o caos?
Não existe para todo mundo. Os estrangeiros têm mais acesso, mas quando acontece algo, os telefones param de funcionar porque as linhas ficam saturadas. Você liga o rádio e só ouve Leandro e Leonardo. Liga a televisão e só tem novela. Os jornais não circulam porque os jornalistas fugiram do país.

Como a situação está sendo controlada?
O presidente Xanana Gusmão não tem muitos poderes. Quem governa é o primeiro-ministro, Mari Alkatiri. Mas ele tem o direito de assumir o controle dos órgãos de segurança, e foi isso que ele fez há umas 48 horas. O primeiro-ministro não é popular. Ele foi para o exterior antes da invasão indonésia e viveu 30 anos fora buscando apoio para o Timor. Ele não participou de perto da guerrilha, e isso é um grande problema para a população. Ele não conseguiu controlar a violência, e agora todos querem a sua cabeça. O Xanana foi chefe da guerrilha, mesmo da prisão, em Jacarta (Indonésia), e tem o apoio dos timorenses, mas ainda não teve tempo de resolver o problema.

Você é a favor do envio de tropas brasileiras ao Timor Leste?
Pode escrever aí que sou totalmente a favor. O exército brasileiro é adorado pelos timorenses. Eu estava lá no dia em que eles chegaram, em 1999, e no dia em que eles deixaram o país, em 2005. Os timorenses fizeram um cortejo e lotaram a rua do aeroporto com lágrimas nos olhos. Eles nos consideram seus irmãos.

Leia depoimentos de brasileiros no Timor
“A população lá está passando fome mesmo, vi crianças pegando lixo nas ruas para comer, vi dois homens perto da nossa casa pegando folhas das árvores para comer. Não adianta distribuir comida, a comida tem de ser entregue pronta porque a grande maioria das pessoas não tem como cozinhar. São muitos os refugiados. O aeroporto está lotadíssimo de pessoas, é uma das coisas mais tristes que já vi na minha vida. Nesses três dias, eu tinha vergonha de comer. Eu não conseguia comer.
A sensação que eu tenho é que não conseguirei mais olhar nos olhos daqueles que eu amo, não conseguirei mais olhar nos olhos de um timorense… Eu abandonei vários, muitos seres humanos na hora que eles mais precisavam … É uma vergonha!”
Ana Lúcia Souto, professora da Capes

“Desculpe, estou chorando agora… Perdoem-me a sinceridade… Ontem, abandonei todos os pensamentos para me concentrar no apoio aos colegas, procurando transmitir informações corretas, garantir aviso a todos, acalmar pessoas, resolver conflitos entre pessoas, aturar egoísmos e compreender que, neste momento de tensão, as pessoas extravasam de formas diferenciadas seus medos!
Com um carro deixado por um evangélico que evacuou dois dias antes, nos sentimos incumbidos de transportar algumas pessoas, chegar aos pontos de comunicação em segurança e checar a lista de pessoas que sairiam ou não com a embaixada. Reunir pessoas e avisá-las da escolha com isenção, além de tomarmos nossas próprias decisões. Decidir no meio da crise… Os empresários e papas da gestão ficariam orgulhosos dos brasileiros no dia de ontem. Enquanto converso com vocês tenho que decidir se vou sair ou não.”
Tarcísio Botelho, professor da Capes

“Ontem foi um dia muito complicado. Primeiro, foi a expectativa do que poderia acontecer diante de toda situação que se instalou. Em casa, só ouvíamos os barulhos dos tiros. No hospital, eles informaram a Eliana que não era segura a locomoção dela. À tarde, eu fui à casa de algumas pessoas ver como estavam as coisas e fui assaltado, levaram a minha moto e eu fiquei a pé. Todos os vizinhos estão armados, eu tive que voltar para o hospital e depois fui para Jocum Jovens com Uma Missão, entidade de missionários evangélicos, onde passei a noite. Agora, andando pela cidade vi muitas pessoas tentando sair de Dili, em alguns pontos as pessoas mandam parar, e perguntam um monte de coisa, outras pessoas pedem comida ou dinheiro. Próximo de casa, as pessoas têm armas e estão fazendo segurança por conta própria. Eu estou tentando ajudar de alguma forma, mas até isso está difícil neste momento.”
Edigard Brito, missionário evangélico

“Estivemos nas montanhas esses dias acompanhados pelo chefe do povoado e Branca (a missionária que nos hospedou). Fomos levar mantimentos e remédio. O medo chega a invadir tanto essas vidas que cada dia eles buscam refúgio mais longe, preferindo subir ainda mais a montanha e se isolando uns dos outros. Foi difícil reunir um grupo para poder distribuir as coisas. É realmente triste ver a condição que essas crianças, mães, velhos, homens e jovens se encontram… A maioria está com conjuntivite muito forte, e as crianças, desnutridas. Vi alguns recém-nascidos, com a cabecinha cheia de feridas. Pode-se fazer uma idéia, pois eles estão no meio do mato sem nenhum recurso, só com o que a natureza lhes dispõe.”
Eliana Arnaldo da Silva, missionária evangélica

Os brasileiros que moram ou já moraram no Timor Leste mantêm uma rede de solidariedade com o país: www.timorcrocodilovoador.com.br.

Escrito por anarina

Maio 27, 2007 em 5:52 pm

Porteiros são vítimas esquecidas dos assaltos

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Ana Carolina Moreno
(Terra Magazine - 09/06/2006

Vigias são as primeiras vítimas quando acontece um arrastão; quatro deles narram essa experiência para Terra Magazine

Assalto, invasão, arrastão. São vários os apelidos do crime que vem batendo na porta da classe média paulistana: entre julho de 2004 e junho de 2006, estima-se que mais de 35 prédios de alto padrão foram assaltados em São Paulo, pelo menos cinco só neste ano, segundo o Secovi, Sindicato da Habitação. A Secretaria de Segurança Pública não revela esse dado.

Prédios de alto padrão em bairros nobres de São Paulo são vítimas freqüentes de ataques bem elaborados por quadrilhas organizadas, que estudam a estrutura do edifício e a rotina dos moradores antes de planejar a invasão e, em grande parte das vezes, desaparecem bem antes de a polícia ser acionada.

Considerado por muitos como o crime da moda, arrastões a prédios de luxo recebem destaque especial da mídia, que oferece detalhes sobre como a segurança do edifício foi furada, quantos assaltantes formaram a quadrilha, quantos dólares e jóias foram roubados e quantos moradores foram feitos reféns. Recentemente, a Polícia Militar criou uma lista de normas a serem seguidas para evitar essa visita desagradável.

As primeiras vítimas dos assaltantes, no entanto, recebem pouca ou nenhuma atenção. Os porteiros – cuja data comemorativa é o 9 de junho – são sempre os primeiros a ser rendidos e, geralmente, são forçados, sob a mira de uma arma de fogo, a permanecer na guarita e fingir que tudo está bem durante toda a operação. Quando tudo acaba e a polícia vai embora, eles ainda correm o risco de levar a culpa e perder o emprego.

Os que mantêm o trabalho evitam o assunto. Os porteiros de plantão se recusam a fornecer detalhes sobre o episódio, afirmando, geralmente, que foram proibidos pelos síndicos. Só quatro aceitaram dar depoimento. Todos os nomes foram alterados para proteger suas identidades. Leia suas histórias nos links abaixo:

A chave do prédio
O dia 14 de novembro de 2005 caiu num domingo. Era cedo quando Ricardo* chegou ao trabalho, um prédio de 12 andares em Moema. Seu turno, das 6h às 13h, prometia ser tranqüilo, e a primeira tarefa foi abordar um morador que esperava um táxi atrás de um dos pilares em frente ao hall de entrada.

- Eu coloquei a mão no ombro dele e disse ‘Amigo, não é melhor esperar ali na frente?’. Então ele vestiu uma máscara e falou ‘Que amigo o quê!’. Sacou duas armas grandes e me rendeu.

Depois de rendido pelo assaltante que ele imaginava condômino, Ricardo foi levado à guarita e forçado a abrir o portão para a entrada do resto da quadrilha. O porteiro, que diz ter 25 anos de profissão – 15 no edifício em Moema -, sabia que não deveria reagir. Mesmo assim, curioso, perguntou se a invasão tinha acontecido quando Ricardo havia deixado a guarita por alguns minutos para apagar uma luz no hall. Recebeu uma resposta calma:

- Estou aqui desde as quatro da manhã. Dormi ali em cima do muro, vi você chegar e se trocar.

A estratégia da quadrilha, formada por cerca de 15 pessoas, era aguardar os moradores descerem do apartamento e abordá-los na saída do elevador. Em seguida, trancavam-nos, inclusive as crianças, na sala de força, na garagem.

- Daqui da guarita dava para ouvir os gritos de medo das crianças. Chegou uma hora em que o bandido que estava aqui pediu, pelo rádio, para os da garagem parar de apavorar as crianças, que dava para ouvir de longe. Ele me disse que eles não eram disso, de machucar pessoas. Só queriam dinheiro.

Na rua, um carro com outro integrante da quadrilha fazia rondas para se certificar de que a invasão corria bem. Ele também se comunicava no rádio com os demais assaltantes. Quando seis dos 12 apartamentos já haviam sido assaltados, os criminosos se deram por satisfeitos. Como era um domingo, a outra metade dos moradores estava viajando. Além de jóias e dinheiro (reais, dólares e euros), os assaltantes levaram equipamentos de televisão e vídeo do salão de festas e saíram em seus próprios veículos.

Hoje, sete meses depois do episódio, Ricardo afirma que a segurança do prédio foi reforçada. Câmeras de vídeo foram espalhadas por todo o prédio, inclusive na calçada, e um sensor infravermelho agora soa um alarme caso as grades sejam atravessadas. A maior proteção deixa Ricardo menos apreensivo, e ele ainda trabalha das 6h às 13h. Gosta do horário, que diz passar rápido: “O maior movimento é só na hora do almoço”.

Ele não descarta, no entanto, a possibilidade de um assalto ocorrer novamente, e de passar mais horas com uma arma de fogo apontada em sua direção, afinal, como gosta de dizer, “o porteiro é a chave do prédio”.

Controle externo
O plantão de Marcelo* começava às 22h, mas ele sempre chegava uns 15 minutos antes, para se trocar e se preparar para ocupar a guarita, como é costume entre a maioria dos porteiros. Já fazia um ano e meio que ele trabalhava em um prédio em Higienópolis, onde ganhava um bom salário: entre R$ 850,00 e R$ 900,00. Como seu horário era de 22h às 6h, ele ganhava o adicional noturno, além de receber pelos feriados em que trabalhava.

No total, acumulava 12 anos na profissão. Em seu currículo, constam ainda diploma de ensino médio e cursos de aperfeiçoamento que não eram requeridos para o emprego, como nível básico de inglês, computação e atendimento a central de telefones. Nada disso, porém, foi páreo para a preparação da quadrilha que invadiu o prédio em 1º de outubro de 2005, meia hora depois do início de seu plantão.

Para burlar a segurança, os assaltantes, quatro homens e uma mulher, conseguiram um dos controles de abertura do primeiro portão da garagem, que ficam de posse de todos os condôminos. O segundo portão é sempre aberto pelo porteiro. Marcelo afirma que não reconheceu o carro, mas abriu a passagem mesmo assim.

- Eu cometi a falha de abrir. Não reconheci o carro, mas os moradores sempre trocam de carro, ou passam meses sem aparecer no prédio… Muitos moradores deixam um controle com os filhos que não moram no prédio. O controle que se costumou a fazer era que, se o motorista tem o controle para abrir o primeiro portão, a gente abre o segundo.

Armados com mini-metralhadoras, ou matracas, conforme o jargão da polícia, os assaltantes logo renderam o porteiro, que afirma ter sentido, ao mesmo tempo, enorme calma e enorme nervosismo. Enquanto uma arma era apontada para sua cabeça, um dos assaltantes o mandava deixar as mãos à vista.

As ameaças a Marcelo duraram apenas cinco minutos, período que, segundo ele, durou uma eternidade. Um dos moradores percebeu a movimentação e chamou a polícia, que já estava à procura de uma quadrilha que, meia hora antes, havia invadido um edifício nos Jardins.

Dos cinco, dois conseguiram fugir e dois foram capturados. O quinto tentou fugir no carro, atirando nos policiais. Após ferir um deles na perna, a polícia revidou e o assaltante foi morto.

Logo após o episódio, Marcelo saiu de férias, que já estavam programadas. Ele aproveitou para tentar esquecer o que aconteceu, apesar de admitir que o evento o deixou bastante abalado.

- Tinha até conversado com minha esposa sobre pedir as contas. Quando voltei, fiquei sabendo que seria demitido. Acho que não foi o síndico, e sim alguns moradores, que acharam que a culpa tinha sido minha. Não entramos em um acordo.

Hoje, ele ainda é porteiro, mas em um prédio comercial. Trabalha durante o dia e se sente mais seguro. Enquanto ainda estava desempregado, enviou currículos para empresas que terceirizam o serviço de portaria dos prédios e descobriu mais uma dura realidade.

- Essas empresas escrevem no contrato que vão pagar os porteiros o mesmo salário que a média, mas, na verdade, o valor é de uns R$ 380, R$ 420, por 12 horas de trabalho. O serviço é muito pior, porque o porteiro faz isso como um bico, até achar coisa melhor. Trata todo mundo com má vontade e não tem nenhum vínculo empregatício.

Ele também rebate críticas de que os porteiros não estão preparados para o trabalho. Segundo ele, os profissionais sabem o perigo que enfrentam e sempre lêem as notícias sobre assaltos, inclusive em jornais da categoria que falam sobre os cuidados para evitar o crime.

- É o que a gente faz pra sobreviver. Tentamos ficar espertos, lemos o que acontece, mas tomamos bronca dos moradores se somos chatos, pedimos para a visita assinar o livro ou para se identificar. Não é falta de treinamento, os assaltantes é que estão sempre na frente. São bem vestidos, falam bem, são profissionais preparados para isso, não um bando da favela que resolve ir assaltar um prédio.

Sob a mira de uma pistola
As cinco horas que Francier passou sob a mira de uma pistola 765 parecem não tê-lo abalado. Hoje, um ano depois do assalto que ocorreu no prédio onde trabalha, em Moema, ele continua com a mesma atitude e também é o único dos entrevistados sem medo de divulgar seu nome – o primeiro, pelo menos.

Em 17 de abril de 2005, um alicate foi usado por um homem para fazer um buraco no alambrado na parte de trás do edifício de 17 andares, com um apartamento por andar. Depois de passar pela fenda, feita às escondidas de madrugada, o homem chegou até a guarita onde ficava o vigia noturno e o rendeu imediatamente. O vidro da portaria não era – e ainda não é – à prova de balas.

Quase uma hora depois, Francier chegava para ocupar a guarita. Ele notou que o vigia estava totalmente paralisado, com os braços cruzados em frente ao corpo, mas só percebeu o que se passava quando entrou no prédio e percebeu que, de dentro do banheiro, um homem apontava uma arma para ele.

Na hora, ele afirma ter ficado controlado, mas, quando foi levado até a garagem, onde oito outros homens o empurraram e fizeram deitar de barriga no chão, ele admite ter pensado que seria fuzilado.

Entre 5h30 e 10h30, os 12 assaltantes ficaram no prédio livres para realizar sua operação. Sua estratégia era a mesma da quadrilha que, seis meses depois, invadiu outro edifício, localizado na mesma rua. Eles abordavam os moradores quando estes desciam de elevador, e chegaram a prender mais de 30 pessoas na sala de refeições, na garagem. Depois das 6h, Francier foi levado à portaria para cumprir sua função normalmente e não levantar suspeitas.

Os assaltantes foram embora no meio da manhã com jóias e dólares. O porteiro acha que não levaram computadores e coisas “menos práticas”. Não levaram outros carros além dos dois que já eram deles. A polícia só foi acionada depois que os assaltantes foram embora, mas Francier não sabe se eles foram pegos ou não.

A segurança foi reforçada apenas onde ocorreu a falha. O alambrado foi substituído por grades, e um sensor infravermelho foi acionado. Para os porteiros, não foi providenciado treinamento de segurança.

- Quando tem de pagar não acontece, né? Mas os moradores também não colaboram. Existe uma regra que diz que todos devem abaixar o vidro do carro e se identificar antes de o portão ser aberto, mas para alguns moradores é uma guerra abaixar o vidro.

No lugar errado, na hora errada
Aos 28 anos, Pedro* aceitou sair, com a mulher, de sua residência no Brooklyn e se mudar para um condomínio de luxo nos Jardins, para ocupar a profissão de zelador. Isso foi há 40 anos. Hoje, aos 67 anos, ele já viu um pouco de tudo. Viu suas filhas nascerem, crescerem e saírem de casa, por exemplo. Também já viu metralhadoras de perto, apontadas para ele.

No dia 1º de outubro do ano passado, ele sentou na guarita para cuidar da portaria por volta de 21h, enquanto o porteiro da noite não chegava para o trabalho. Abriu o acesso da garagem às 21h40 para um carro sair e, de repente, um outro carro desceu rapidamente a rampa de entrada.

O que aconteceu depois foi muito rápido. Rapidamente, já haviam rendido Pedro e o outro porteiro, que se preparava para ir embora. Uma menina chegou no prédio e Pedro foi forçado a deixá-la entrar. Ela foi rendida em seguida. Os assaltantes, então, procederam com o plano para invadir os apartamentos, mas foram repentinamente interrompidos.

Se o sistema de entrada foi rapidamente vencido pela quadrilha, o de monitoramento funcionou devidamente. A empresa contratada para fazer o serviço controlava os vídeos filmados pelas câmeras de segurança e, ao perceber a movimentação, fez soar o alarme.

- Eles ouviram um alarme e gritaram “Sujou, sujou, vamos embora!”. Não fizeram nada com a gente e fugiram.

Meia hora depois, quando a polícia e os moradores já estavam no andar térreo apurando os acontecimentos, os policiais receberam a informação de que uma quadrilha, também com quatro homens e uma mulher, tentava assaltar um prédio no bairro de Higienópolis.

Os 15 minutos em que o prédio passou sob domínio do bando não causaram danos materiais a nenhum dos moradores, mas tiveram efeitos mais duradouros no neto de seis anos de Pedro, que estava no local visitando os avós. Ele, a mãe e a avó foram presos pelos assaltantes no banheiro.

- Até hoje, quando meu netinho vem visitar, e alguém bate na porta, ele fala que é um ladrão. Eu tento conversar com ele e explicar que isso não vai acontecer de novo.

Mas o próprio zelador não acredita piamente no que diz, e admite ter receio de pessoas paradas na rua.

- Eles fizeram pesquisa no prédio por muito tempo. Hoje eu vejo com outros olhos quem passa na rua. Agora não tem tanto problema, porque eles reforçaram a segurança. Tem câmera pra todo lado, e três vigias que ficam andando pela rua à noite.

*Nomes fictícios

Escrito por anarina

Maio 27, 2007 em 12:54 am

IGP-M pode ajudar a aliviar seu bolso

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Ana Carolina Moreno
(Terra Magazine – 01/06/2006)

Nos últimos 12 meses, o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apresentou queda constante, num total de -0,33% no período. É a primeira vez que esse fenômeno acontece desde 1989, quando o índice foi criado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Essa baixa tem efeitos importantes na renegociação de contratos.

O IGP-M é bastante popular nos contratos de aluguel, de prestação de serviços e mensalidades escolares, e determina qual será o reajuste no final de 12 meses. Nos últimos anos, os prestadores de serviço e donos de imóveis e escolas costumaram optar pelo indicador porque, como ele sofre influência da variação cambial – e o dólar estava em alta – o valor no contrato era sempre ajustado para cima.

Desde 2003, porém, o real se valorizou em relação ao dólar, e essa tendência se intensificou nos últimos 12 meses.

Desse modo, se você tiver contratos atrelados ao IGP-M, essa deflação faz com que o valor tenha de ser corrigido, só que, desta vez, para baixo.

Como, no Brasil, reajuste é praticamente um sinônimo de “elevar o preço”, o consumidor deve ficar atento ao que estipula o contrato e verificar se o preço vai baixar.

Como um contrato é sempre um acordo entre partes, se o prestador de serviço desistir de apostar no IGP-M e quiser trocar o índice de reajuste para continuar lucrando mais, só pode fazê-lo com a aprovação do consumidor.

Índices de preços são taxas calculadas por institutos de pesquisa como o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Eles determinam o reajuste de preços ao consumidor a partir da coleta de amostras de preços. Cada um compõe a cesta de produtos e serviços pesquisados e o seu período de cálculo da sua maneira. O IGP-M é calculado pela FGV sempre no período entre o dia 21 de um mês e o dia 20 do mês seguinte.

Assim como outros índices gerais de preços, o IGP-M inclui no seu cálculo amostras de produtos básicos de consumo do brasileiro médio (arroz, gasolina, escola etc.). As amostras de preços desses índices são retiradas do mercado interno, em reais.

Uma das caraterísticas que diferencia o IGP-M é o alto peso das commodities -produtos negociados em larga escala mundial, como a laranja e a soja- na conta. Como o preço das commodities é fixado internacionalmente, a moeda utilizada é o dólar, cujo preço influencia diretamente, portanto, o cálculo do índice.

Escrito por anarina

Maio 27, 2007 em 12:45 am

A moda das feministas

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Ana Carolina Moreno
(Terra Magazine – 30/05/2006)

sof.org.br/divulgação
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Saias de retalhos, que misturam estampas, tecidos lisos e listrados, de qualquer cumprimento. Batas de crochê de todos os tamanhos e modelos, de preferência únicos e sem etiqueta. No pescoço, colares de sementes, quanto maiores melhor. No peito, camisetas, produzidas ou feitas à mão, com mensagens provocativas. Isso tudo com a predominância de tons em lilás; e mais: com direito a misturas ao verde, ao laranja e ao rosa-choque. O cabelo é ao natural, e pode ser trançado ou enfeitado por fitas. Chapinha? Objeto de longuíssimas discussões. Informais, fora da pauta.

Não, não se trata da tendência outono-inverno apresentada na última São Paulo Fashion Week; aliás, a combinação de estilos e cores flagrada por Terra Magazine seria capaz de provocar ânsias e caretas em estilistas e críticos. Falamos aqui da moda das feministas na Marcha Mundial das Mulheres. Em Belo Horizonte, nas dependências do Sesc, elas pintaram e bordaram, a seu modo, no I Encontro Nacional da organização.

Vindas de 22 estados brasileiros, elas são filhas, mães ou avós. Indígenas, negras, brancas ou amarelas. Pobres ou de classe média. Quilombolas, sindicalistas, camponesas, médicas, sem-terra, estudantes ou vereadoras.

Letícia já foi presa por colar lambe-lambe (cartaz em postes, com cola extra-forte) em defesa da legalização do aborto.

Estrela já ajudou mais de 100 mulheres a conseguir medicamento para fazer aborto.

Mariah exercita os músculos arrombando portas de edifícios abandonados, que servem de abrigo ao Movimento dos Sem-Teto.

Por quatro dias, o jeito de se vestir das mulheres do I Encontro se espalhou pela capital mineira. Colares e as batas ainda são o grande sucesso, e são vendidos durante os intervalos das atividades em barracas improvisadas. Mas nenhuma mercadoria é tão comercializada como as camisetas. Estampados no peito elas carregam seus ideais.

O grande lançamento da estação é a camiseta em solidariedade às mulheres da Via Campesina. A mensagem é quase um out-door da radicalidade: – 8 de março – Aracruz Celulose – eu estava lá.

A peça expressa o apoio das mulheres da Marcha Mundial às suas aliadas, as que no Rio Grande do Sul invadiram o laboratório da Aracruz em protesto contra a monocultura de eucalipto.

Renata, estudante paulistana se orgulha da compra:

- Essa não é o máximo?

Com apenas 15 anos, quatro deles a militar na Marcha no Rio Grande do Norte, Risoneide comenta um episódio em que vestia uma das mais polêmicas camisetas, a que diz Eu aborto, tu abortas, somos todas clandestinas:

- Fui com a camiseta a um encontro da Igreja. O padre olhou feio, mas não disse nada.

O “pretinho básico” das feministas é a blusa com o logo da Marcha, criada em 2000 e com ativistas em quase 200 países. Uma mescla do símbolo que indica o feminino (o círculo com o sinal de + embaixo) e uma corrente de mulheres ao redor de um globo, de mãos dadas. Mensagem embutida: para conquistar a liberdade.

Escrito por anarina

Maio 27, 2007 em 12:43 am