Laptop na praça

Publicado emJunho 1, 2010

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Revista Galileu, junho/2010
(original na internet)

Como Cabo Verde, na África, vai oferecer acesso total e gratuito à internet

A praça é deles: o estudante Agostinho Semedo utiliza um dos 16 pontos com acesso gratuito à rede espalhados pelo país africano (Foto: Ana Carolina Moreno)

O estudante de eletrônica Ellydy Carvalho, de 18 anos, acaba de se juntar aos amigos no banco da praça Alexandre Albuquerque, na Cidade da Praia, capital de Cabo Verde. Ele tinha sido obrigado a passar em casa para recarregar a bateria do laptop. Mas, agora, estava de volta a um agitado point da cidade: o ponto de internet sem fio gratuito instalado pelo governo do país africano.

“Para que vou pagar se tenho rede de graça?”, diz o Ellydy. O garoto, que nunca saiu do arquipélago de nove ilhas e quase meio milhão de habitantes a 640 quilômetros do Senegal, representa a primeira geração conectada do país: a dos jovens que já têm contato com a tecnologia desde o ensino médio e começam a tirar proveito do KoneKta, o programa-piloto que o governo colocou em prática na capital há um ano e pretende estender a todo o país até 2015, ao custo de R$ 100 milhões.

(Crédito: Bruno Cesar)

A ideia abre um ousado panorama: tornar um país pobre, que enfrenta uma crise energética, umas das primeiras nações do globo totalmente plugadas. Até agora foram instalados 16 hotspots. Nas universidades, também equipadas com pontos de internet, é ainda mais comum encontrar notebooks abertos no saguão, nas salas de aulas e mesmo nos jardins. Vale lembrar que Cabo Verde mantém todas as suas 150 mil crianças na escola.

“Vivemos em um momento de conectividade”, afirma Octavio Almeida, Ministro da Educação e Desporto. Ele explica que buscou apoio de empresas como a Microsoft e a Intel para capacitar tecnologicamente os cerca de 8.000 professores do país.

Essa parceria é realizada dentro do Programa Mundo Novo, que promete a instalação de PCs com acesso à rede em todas as escolas. O tripé da inclusão digital se completa com as linhas de crédito para oferecer computadores mais baratos à população. Portanto, tenha inveja: enquanto você se espreme em busca de um wi-fi gratuito, na África surge o modelo de um admirável —e inevitável — mundo conectado. E de graça.

(Crédito: Bruno Cesar)