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	<title>Ana Carolina Moreno</title>
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		<title>Em busca de raízes orgânicas</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2010 21:56:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Revista Piauí]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Revista Piauí, outubro/2010 (original na internet) Uma jornalista paulistana de 28 anos que decidiu buscar na internet um lugar onde pudesse tirar férias do mundo virtual foi parar numa comunidade agrícola orgânica nos Pirineus, no sul da França. Passou um mês cavando a terra, carregando engradados de batatas e morando numa yurt. ANA CAROLINA MORENO [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=95&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Revista Piauí, outubro/2010</strong><br />
<strong>(<a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao_49/artigo_1425/Em_busca_de_raizes_organicas.aspx" target="_blank">original na internet</a>)</strong></p>
<p><em>Uma jornalista paulistana de 28 anos que decidiu buscar na internet um  lugar onde pudesse tirar férias do mundo virtual foi parar numa  comunidade agrícola orgânica nos Pirineus, no sul da França. Passou um  mês cavando a terra, carregando engradados de batatas e morando numa yurt.  ANA CAROLINA MORENO pagou 15 euros para acessar a lista de fazendas  orgânicas que oferecem casa e comida em troca de trabalho voluntário.  Essas fazendas, que se multiplicam no mundo todo, participam da rede  wwoof, a World Wide Opportunities on Organic Farms</em></p>
<p><img class="alignleft" src="http://200.185.145.196/images/2010/outubro/Artigo_1425/artigos_img_topo_artigo.jpg" alt="" width="720" height="300" />DIA 1: 2 de julho, sexta-feira-_Parti às cinco da manhã rumo à estação  de trem e durante todo o trajeto mentalizei o discurso que dispensaria  na imigração francesa: estou fazendo turismo, só turismo, esse par de  botas pendurado na mochila é para fazer caminhada, o saco de dormir é  para acampar e o chapéu&#8230; o chapéu foi um presente. Isso porque há dias  descobri que o governo francês não gosta de <em>wwoofers</em> e já  negou a entrada de vários deles. São gente que – como eu a partir de  hoje – mistura o amor à natureza dos hippies com a vocação dos <em>beatniks</em> de vagar pelo mundo numa trilha alternativa (leia-se econômica).</p>
<p>Não é a flor no cabelo ou o mochilão o que desagrada às autoridades. É o  passaporte sem visto de trabalho. Mas me preocupei à toa, já que a  fronteira do País Basco com a França, de madrugada, é mais livre do que a  mente de Timothy Leary durante sua primeira viagem de LSD.</p>
<p>Meu encontro estava marcado para as duas da tarde. Ao descer do trem,  procurei pelo homem que me foi descrito como “alto, com cabelos  compridos e bronzeado como todos os agricultores”. Comparado ao meu  metro e cinquenta e pouco, Jonathan é altíssimo. E delgadíssimo como o  palito de madeira que sustenta seus cabelos num coque. O bronzeado de  agricultor não é propaganda enganosa.</p>
<p>Percebi de cara que nossa comunicação seria trabalhosa. Marielle, a  mulher dele, havia avisado que o marido não fala inglês. Eu, com o meu  francês básico e enferrujado, consegui compreender menos da metade da  conversa no caminho até a fazenda. Pelo menos consegui entender que  chegaríamos a tempo de assistir ao Brasil enfrentar a Holanda na Copa do  Mundo.</p>
<p>Antes do jogo, Jonathan apresentou a sua propriedade rural. Começou pela <em>yurt</em>,  a tenda redonda de origem mongol de 50 metros quadrados, onde ele dorme  e faz as refeições com a esposa e a filha, Salomé, de 2 anos. Do lado  de fora, dentro de um antigo trailer, fica o chuveiro. Também externo,  protegido por cortinas, o banheiro seco – o vaso sanitário consiste num  assento colado em uma tábua de madeira em cima de uma grande lixeira.  “Para fazer pipi usamos o bosque”, esclareceu. Contornando o bosque,  chegamos ao meu alojamento – uma barraca de acampamento das boas.  Lá dentro, sou recepcionada por um colchão, um cobertor e uma almofada.</p>
<p>Em seguida, fui apresentada à área de cultivo propriamente dita.  Protegidas por galpões cobertos estão as plantações de tomate, berinjela  e abobrinha. Ao ar livre ficam as batatas e as alfaces. Num morrote, as  cebolas e, ao fundo, os morangos. No extremo dos 8 hectares da fazenda  está o lago de onde o casal retira a água que alimenta o cultivo.  Jonathan explica que é possível nadar à vontade ali, desde que a ducha  aconteça logo em seguida. O lago tem coliformes. Xixi no mato, chuveiro  no depósito, coliformes no lago.<em> Voilá</em> o meu batismo <em>wwoof</em>. Mas a única má notícia do dia foi mesmo a derrota do Brasil.</p>
<p>DIA 2_Sábado é dia de mercado. Saímos às 6h30 num caminhão branco, com  Erwann, o vizinho apicultor. Quarenta quilômetros depois chegamos ao que  mais me pareceu uma feira de rua em São Paulo. As diferenças maiores  são duas: cheiro de peixe e gritaria inexistem.</p>
<p>Jonathan se instala no seu ponto cativo, na esquina de uma praça coberta que compõe o pequeno setor “biô” (de <em>biologique</em>)  da feira. À direita, Gilles vende queijo e Martine pão, tudo orgânico. À  esquerda, mais pão e o mel do vizinho apicultor. Em frente está a loja  de Françoise, que há mais de dez anos oferece centenas de produtos de  origem orgânica certificada. Sabão em pó para lavar roupas, chocolate,  iogurte de soja, creme de barbear, protetor solar. A variedade é enorme  e, pelo que indica a fila no caixa, a clientela também.</p>
<p>No verão, o movimento cai devido às férias, e a venda dos legumes não  passa dos 100 euros. O recorde de vendas de Jonathan ocorreu em maio  passado (460 euros). Ele explica que sua renda provém principalmente da  Amap, às quartas-feiras, mas não entendi a que se referia.</p>
<p>DIA 3_A <em>yurt</em> (em francês, o substantivo é masculino) é linda.  Branca dos pés à cabeça, escondida da estrada pelo bosque, é mais lar do  que muita casa por aí. A estrutura é de madeira e a parede externa tem  isolamento de palha e camadas de lã. O interior tem divisórias de  tecidos coloridos. Jonathan explicou que a motivação de morar nessa  tenda, cada vez mais famosa na Europa, foi a economia financeira e  ecológica na hora da construção.</p>
<p>Uma <em>yurt</em> custa entre 4 e 5 mil euros e sua construção não exige  mais de oito horas de trabalho, com a ajuda de oito amigos. Além de não  usar concreto nem exigir grandes equipamentos, custa menos de um décimo  do preço de uma casa de alvenaria. Por lei, o terreno sobre o qual é  erguida é restrito ao uso agrícola e, portanto, mais barato que terrenos  residenciais. Uma vez passados os anos necessários para que a lei de  zoneamento os considere fazendeiros estabelecidos e quitadas as dívidas  contraídas durante a mudança da cidade para o campo, o casal pretende  começar a construção de uma pequena casa.</p>
<p>Jonathan, Marielle e Salomé vivem ali há menos de três anos. Têm água encanada, eletricidade, uma porta de vidro (sem fechadura), uma janela tripla e lareira. Na cozinha,  geladeira, fogão, pia, balcão e prateleiras. Passando os olhos, vejo  outra prateleira com cds, dvds, livros e álbuns de fotos. Depois vem a  cama do casal com mosquiteiro. O beliche da menina tem uma parte  superior que faz as vezes de armário e prateleira de brinquedos, além de  mesa. Por fim, um cabideiro para os casacos de inverno e um tapete onde  são colocados sapatos e botas. No centro da<em> yurt, </em>sofá-cama, poltrona e a mesa de jantar.</p>
<p>DIA 4_Meu primeiro dia de trabalho foi leve, começou só às 9 horas  porque antes o chefe teve que ir à estação de trem buscar a mulher e a  filha. Trabalhamos até o meio-dia plantando sementes em potes de  plástico preto. A gente se ajoelha de um lado da carriola abastecida com  terra e água. De um lado estão os potes e, do outro, empilham-se os  engradados cheios de potes com terra. Você enche o pote até a metade e  pressiona com os dedos até que o fundo esteja socado. Depois completa o  preenchimento fazendo pressão apenas para não deixar a terra fofa  demais, sem impedir o crescimento da futura plantinha. O importante é  manter a manha até o final.</p>
<p>Após a preparação dos potes (e de eu encontrar um banquinho para não  sacrificar meus joelhos e costas), chega a hora de plantar as sementes.  Elas são vendidas em pacotes de papel muito bem fechados e guardadas em  contêineres de plástico dentro do trailer/chuveiro. Plantei alface: uma  semente grande em forma de gota-d’água que deve ser plantada com a ponta  aguda para baixo. Mais exatamente, aprendi, a 1 centímetro da  superfície do pote. Cada engradado comporta sessenta potes e, claro, a  regra número 1 numa fazenda orgânica é o aproveitamento máximo.  Multiplicando sessenta por oito chegamos a 480 potes, onde plantamos  cinco espécies diferentes de legumes.</p>
<p>Salomé acordou enquanto trabalhávamos. Apareceu de pijama azul e chupeta  na porta, com um sorrisão e uma pelúcia de estimação: um pedaço de pano  costurado. Marielle, tão alta quanto Jonathan, mas menos magra,  trabalha algumas noites por semana como enfermeira num centro para  deficientes visuais.</p>
<p>Estão satisfeitos com a guinada radical que deram em suas vidas. Ele<br />
(33 anos) e ela (29) se conheceram durante uma excursão de bicicleta.  Ambos eram novatos na modalidade, mas desde então já fizeram até um tour  de três meses pela Turquia e Grécia. Tudo em cima das respectivas <em>velôs</em>,  como chamam as bicicletas aqui. Decidiram sair de Toulouse, a cidade em  que moravam, para viver no campo. Jonathan, cozinheiro profissional,  foi aprender agricultura. Marielle, cujos pais haviam feito a mesma  migração da cidade para o campo quando a filha tinha a idade de Salomé,  cogitou cuidar de animais. Mas acabou mantendo a profissão.</p>
<p>O casal optou por uma propriedade de 8 hectares em Pouy-de-Touges, um  vilarejo de 600 habitantes a 50 quilômetros ao sul de Toulouse, onde os  endereços e códigos postais são os mesmos para várias casas, uma vez que  o carteiro conhece todo mundo.</p>
<p>DIA 5_O trabalho começou no horário normal, seis e meia da matina, na  plantação de tomates. Minha tarefa consistiu em limpar a terra das ervas  daninhas. Jonathan explica que o agricultor orgânico não precisa se  preocupar com pragas ou doenças. Seu grande inimigo é a erva daninha,  que suga a água das plantas e impede seu desenvolvimento pleno.</p>
<p>A pior delas é o cardo, que é coberto por espinhos da ponta da folha  mais alta até o início da raiz. Depois de levar espetadas por uma hora  consegui desenvolver um sistema quase 100% eficaz de remoção da peste.  Lá vai a receita: jogue terra em cima da planta para diminuir as  espetadas. Puxe (com os pés, se necessário) a planta rente ao chão, para  encontrar um ângulo de ataque mais favorável. O próximo passo é cavar  um pouco em volta da planta para conseguir agarrar o caule com firmeza  numa área sem espinhos. Por fim, puxe a planta inteira com uma dose de  força controlada. Erro de principiante: tentar arrancar a planta do solo  a todo custo, porque é assim que se quebra o caule, e então a raiz  continua a crescer e o seu trabalho terá sido meio inútil.</p>
<p>Depois do tomate fui ajudar Jonathan na colheita das batatas. Esse  trabalho é feito em dupla: o mais forte usa uma forquilha para levantar  as raízes da planta e a fracote aqui rapidamente recolhe as batatas que  surgem na superfície, cava mais um pouco com as mãos para encontrar  outras – aproveitamento máximo – e as guarda no engradado. Difícil é  levar o engradado cheio ladeira abaixo, para buscar um vazio e continuar  o trabalho. “Quando sair daqui, você estará tão musculosa quanto eu”,  garante Jonathan.</p>
<p>Hélène, uma amiga de Marielle, veio almoçar conosco. De vez em quando,  um ou outro amigo do casal vem à fazenda para ajudar em alguma tarefa  que necessite de várias mãos. Hélène veio ajudar a plantar sementes de  beterraba.</p>
<p>DIA 6_De manhã, colhi os últimos morangos da estação. Guardei-os dentro  do meu chapéu de palha comprado há um ano e nunca antes usado. A  plantação de morangos ocupa as duas últimas fileiras da fazenda, logo  antes do lago. É a única que tem um toldo preto cobrindo a terra, com  buracos para as plantas.</p>
<p>Ao contrário do tomate, há poucos espinhos, e cada morangueiro só  enfrenta a concorrência de três ou quatro plantas daninhas. Mas elas  criam um emaranhado de ramos por todos os lados, que torna bastante  difícil o trabalho de remoção das raízes. É bom tomar cuidado para  diferenciar a erva daninha do ramo mais longo do morangueiro, pois esta é  a parte que será replantada.</p>
<p>Descobri o que é Amap: Association pour le Maintien d’une Agriculture  Paysanne, Associação para a Manutenção da Agricultura Camponesa. A  organização é produto da reunião de um grupo de pessoas, que assim compram produtos agrícolas diretamente do produtor, eliminando  distorções do sistema de distribuição e garantindo a qualidade e a  isenção de pesticidas nos alimentos.</p>
<p>Toda quarta-feira, no começo da noite, cada membro da Amap busca a sua  cesta de legumes. É Jonathan quem escolhe quais legumes, e em qual  quantidade, vão para cada cesta. A escolha é feita de acordo com a época  do ano e o ciclo de plantações. Esta semana ele depositou vinte cestas  completas no local combinado: atrás de uma igreja de um subúrbio de  Toulouse.</p>
<p>Como o preço é fixo, e não é preciso encontrar os clientes, elimina-se o  intermediário. Aprendi com meu hospedeiro que as Amaps são uma cadeia  de produção e consumo nascida no Japão do pós-guerra, quando muita gente  tentava evitar o consumo de alimentos contaminados com resíduos  atômicos. Hoje em dia, elas estão na moda em toda a França.</p>
<p>DIA 7_Voltei à tarefa de <em>désherbage</em> do tomate. Eles ainda estão  bem verdes. Em duas semanas estarão prontos para serem colhidos e  vendidos. Jonathan arrancou um do pé e me fez degustá-lo ali, na hora. À  primeira vista, se parece com o tomate que se pega na prateleira do  supermercado, ou que é retirado da gaveta da geladeira e colocado no seu  prato. Mas o sabor é outro, mais acentuado, mais terra e menos talher –  um tomate de verdade. Inesquecível.</p>
<p>Fui promovida a podadora. A tarefa exige uma faca de bolso que desliza  para fora do cabo, e que me fez lembrar a que o meu pai usava na fazenda  em Araraquara. Poda-se o pé de tomate para que apenas um caule siga em  desenvolvimento e não se desmembre para os lados. A planta, que cresce  em espiral em volta de uma corda amarrada no teto, tem um caule  principal, e nas bifurcações de onde saem os ramos, outros caules  começam a crescer. São eles o alvo da poda. Muito cuidado para não  confundir o raminho de onde sai o fruto com o caule a ser atacado. Há  casos em que dois caules secundários brigam pelo protagonismo, e então  entra o viés divino do agricultor. Ganhei autonomia para decidir a vida e  a morte de caules e confesso que aplicar o darwinismo assim tão  diretamente faz minhas mãos suarem.</p>
<p>Trabalhei nisso até a hora do almoço. E dormi a sesta no pequeno bosque atrás da <em>yurt</em>,  na única área do meu novo mundinho com temperatura tolerável.  Infelizmente, é onde os mosquitos também procuram uma sombrinha. A onda  de calor deste verão europeu tem frequentado todos os noticiários.</p>
<p>No fim da tarde, fomos a um vilarejo próximo participar de uma festa  local, típica do verão. Nessas festas há sempre um mercado noturno em  grande atividade. Vi que além dos nossos legumes, havia brincos  caseiros, bolsas de pano caseiras, gaiolas caseiras, utensílios de  cerâmica caseiros, bolos e crepes caseiros e um suco de maçã delicioso.  Feito em casa também.</p>
<p>Marielle e eu nos encarregamos das vendas, já que Jonathan só chegaria  para o piquenique. Vendemos um total de 2,60 euros, mas não houve  estresse. O casal sabe que ainda é novo na região, e que o investimento  que fizeram vai se pagando lentamente. Distribuímos panfletos com o mapa  da fazenda e o horário do mercado de sexta-feira, e começamos a comer.</p>
<p>Antes de dormir, subi o morro onde fica o galpão das abelhas e fui à  fazenda do vizinho, a única da redondeza que tem internet – precisava  mandar sinais de vida ao Brasil. Foi meu batismo com o teclado francês,  que deve ser um marco da resistência da França em relação ao império  americano.</p>
<p>Subir e descer ladeiras de terra desviando dos buracos e espinhos já é  complicado. Imagina fazer isso quase à meia-noite, em pleno breu.  Erwann, o vizinho, me emprestou uma microlanterna que funcionava  literalmente a manivela. Ou seja, tinha que andar no escuro, ladeira  abaixo, em meio aos espinhos e buracos, e ainda precisava girar  continuamente a manivela para poder enxergar pelo menos o tamanho do  matagal em volta. E aí vem a natureza de novo: Lost, o cão-lobo de  Erwann, me acompanhou do começo ao fim, mostrando o caminho.</p>
<p>DIA 8_Já não sei há quantos dias estou aqui. Mas já deu para esquecer  como é o som da descarga e a cor de unhas limpas. Sujeira e limpeza,  aqui, ganham outros significados. Minha casa tem paredes brancas e teto  verde. É feita de náilon e a porta é do mesmo tamanho da janela, as duas  se fecham com zíper. Dentro, um colchão, meu saco de dormir, um  travesseiro, uma mala com algumas roupas, alguns livros e a minha  revista de palavras cruzadas, que já chega perigosamente ao final.</p>
<p>Os dias duram dezesseis horas. O calor é tão forte que saio da ducha  suando, e até a água do lago deixa de refrescar a partir do quinto  segundo. Meu vocabulário continua limitado: <em>chaud</em><em>, </em><em>chaleur</em><em>, </em><em>canicule</em><em>,</em> <em>été</em><em>, </em><em>lac</em><em>, </em><em>douche</em><em>, </em><em>eau</em> são os substantivos que eu mais uso. O ser vivo mais citado é a <em>mouche</em>, a mosca. Ontem, na falta de um segundo mosquiteiro, Marielle montou uma tenda dentro da <em>yurt</em> para a filhinha poder dormir em paz.</p>
<p>DIA 9_A minha barraca de acampamento virou um condomínio com a chegada de Trisha, a nova <em>wwoofer</em> da fazenda. Ela tem 29 anos e mora no Havaí, embora seja natural do  Missouri. Professora de biologia e formada em dança, tem olhos verdes  brilhantes e cabelos curtinhos. Diz que os cortou pela primeira vez na  Índia.</p>
<p>Trisha reservou o ano de 2010 para viajar pelo mundo. Começou em Guam,  passou pela Índia, depois Israel e agora chegou à França. Pretende  seguir para a Espanha em outubro e terminar a viagem “woofando” em  várias partes dos Estados Unidos. Montou um blog sobre a viagem e  pretende arrecadar 25 mil dólares em prol de organizações de educação  ambiental e combate aos alimentos transgênicos.</p>
<p>Como ela não fala francês, acumulo a função de intérprete francês-inglês-francês.</p>
<p>DIA 10_É domingo e<strong> </strong>todo mundo está de folga. Fomos de  carro até um lago aos pés dos Pirineus, nadar entre patos e crianças. À  noite preparei arroz, feijão (pré-cozido), panqueca de queijo e  brigadeiro. Aqui na roça francesa a comida é deliciosa para quem é  vegetariana como eu. Nada de <em>escargots</em>, <em>foie gras</em> ou <em>croissants</em>.  A alimentação vem de três fontes primárias: os legumes que sobram das  vendas semanais, as trocas com os agricultores da região e a loja da  Françoise.</p>
<p>O “<em>fromage</em> de Gilles”, por exemplo, não é <em>camembert</em>, não é <em>emmental</em>, não é <em>gouda</em>.  É único e delicioso. Todo sábado Jonathan troca abobrinhas, batatas,  alho e outras verduras por vários tipos de queijo de Gilles. De resto,  arroz, quinoa, semolina ou batatas nunca podem faltar à mesa. Carne,  geralmente frango ou peixe, só uma vez por semana. E, em matéria de  sobremesa, ninguém escapa do iogurte (à base de soja) e creme de  chocolate (à base de soja). Minha contribuição tem sido o “brigadeirô”  na colher ou no pão.</p>
<p>Costumamos fazer cinco refeições por dia, a primeira antes de o sol  nascer e a última logo antes de ele se deitar. Almoçamos entre meio-dia e  1 hora e, obrigatoriamente após, começa o momento mais sagrado do dia: a  sesta. Quando todo mundo acorda, tomamos uma groselha com bolachas. O  jantar é lá pelas oito, nove da noite.</p>
<p>DIA 11_A chegada de Trisha mudou tudo. Primeiro descobri que Jonathan,  na verdade, não só entende como também fala inglês, ainda que um pouco.  Já havia notado que ele prefere manter sua soberania linguística.  Marielle agora só fala inglês conosco. Ela parece contente em praticar o  idioma.</p>
<p>A vida na fazenda também ganhou nova perspectiva por causa de outra  novidade: Marielle está grávida! Descobri casualmente, enquanto ela  contava a história de como conheceu Jonathan. Perguntei brincando quando  chegaria o segundo bebê, já que eles disseram que queriam mais  crianças. Ela se virou de perfil e disse “Já está aqui”, enquanto  imitava uma barriga grávida com os braços. Trisha e eu sorrimos como  quem entende a brincadeira e soltamos um <em>really? </em>mecânico. Marielle abriu um sorriso largo e disse: “<em>Yes, really</em>.”</p>
<p>Duas crianças de 0 a 3 anos dentro da pequena<em> yurt</em>, um pai  agricultor que trabalha todos os dias da semana, uma mãe que trabalha  vários dias da semana à noite, uma fazenda inteira para cuidar e aquele  trailer-chuveiro-depósito por arrumar? Foi Trisha quem deu a ideia de  fazermos a faxina no trailer e vimos que era agora ou nunca. Bom, vai  ser amanhã.</p>
<p>DIA 12_Dito e feito. Depois do trabalho conseguimos retirar tudo o que  estava no trailer, limpá-lo de cima a baixo com o aspirador de pó,  remover dezenas de teias de aranhas e recolocar todo o material de  maneira organizada. Marielle se encarregou de separar o que jogaria  fora, quais caixas de ferramentas guardaria no desnível abaixo da <em>yurt, </em>e que roupas doará.</p>
<p>Quando terminamos, foi nítida a sua satisfação de completar uma tarefa  doméstica que nunca tinha conseguido fazer sozinha. Além da nova  organização, o trailer agora não tem pó, teias e as milhares de bolinhas  brancas que suspeitamos serem obra de alguma mariposa. Trisha ainda  encontrou um abajur de papel amarelo para incrementar a iluminação e eu  montei duas bandejas suspensas do lado de fora da ducha para xampus e  sabonetes. Nossos próximos projetos são lavar o carro de Marielle por  dentro e fabricar um charmoso cartaz de divulgação da fazenda para ser  usado nos dias de feira.</p>
<p>DIA 14_Feriado nacional, aniversário da queda da Bastilha. Jonathan, que  é um cara muito gente fina, nos deu o dia de folga. Trisha e eu  recusamos. Afinal, Jonathan trabalha sete dias por semana, inclusive  feriados, e faz jornada dupla às quartas-feiras, o dia da Amap.</p>
<p>DIA 16_Em meio ao bosque da “nossa” fazenda, há uma clareira onde  troncos de árvores fazem as vezes de bancos e mesas ao redor de um forno  de argila. Faz parte da casa de Jo, de quem escuto falar desde que  cheguei aqui. Jonathan explicou que um amigo suíço vem se hospedar com  Jo de vez em quando e gosta de ficar naquele espaço aberto. Por  coincidência, Trisha o conheceu na Índia, quando ambos trabalharam numa  mesma fazenda de lá. O próximo destino do suíço seria Moçambique.</p>
<p>Quando finalmente me apresentam a Jo, escutei português. Explica-se: um  dos mais de 100 países que esse engenheiro naval e voluntário do Médicos  Sem Fronteiras já visitou foi o Brasil. Começo a entender melhor a  história dessa tribo errante. Há cerca de dez anos um grupo de amigos do  norte da França decidiu deixar a cidade e adotar o campo como lar de  uma associação anarquista. Compraram juntos um grande naco de terra e  cada um começou a trabalhar o espaço que lhe cabia.</p>
<p>Com o passar do tempo, o grupo foi crescendo, casando, descasando,  recasando e se mudou. Hoje, meia dúzia ainda vive na região. A casa de  um deles, que no passado foi um estaleiro de porcos, hoje é cheia de  equipamentos de ponta misturado a móveis retrô – inclusive um iMac. Os 8  hectares de Jonathan foram adquiridos quando o casal que ali vivia  resolveu se mudar para um espaço maior.</p>
<p>DIA 17_Visitamos um casal amigo que literalmente elevou o nível dessa  experiência de largar a cidade e ir para o meio do mato. Eles moram a  mais de 2 mil metros de altitude, numa <em>yurt</em> na encosta de uma  montanha. Há um ano, vivem a muitos quilômetros, morro acima, de lojas,  padarias e outros serviços. Além disso, a casa fica a vinte minutos de  caminhada da garagem. Mas têm eletricidade! Bem, só para cozinhar e  carregar a bateria do celular. Antes de instalarem um painel solar, usavam velas e uma lamparina que também funciona com energia solar. Vivem da produção do queijo de cabra.</p>
<p>Ponto de vista é tudo: hoje minha roça virou hotel.</p>
<p>DIA 18_Trisha e eu estávamos embaladas para assistir a uma etapa do Tour de France <em>in loco</em>.  Marielle nos emprestou o carro e partimos para os Pirineus logo após o  almoço. Os ciclistas chegariam por volta das cinco e meia da tarde à  linha de chegada da etapa de Pamiers, e por isso planejamos estar lá  duas horas mais cedo. Deu tudo errado, é claro: os últimos 50  quilômetros da nossa estrada eram os mesmos que os ciclistas usariam, e o  trecho já estava fechado por uma barreira policial. No final,  conseguimos ver um total de<br />
25 segundos da corrida.</p>
<p>DIA 21_Começou a chover ontem à noite e, embora seja uma delícia dormir  na barraca ao som da chuva, levantar de madrugada para trabalhar não é  simples. O aguaceiro parou dezoito horas depois. Passamos o tempo  comendo brigadeiro debaixo das cobertas e assistindo filmes. Cinco  filmes, para ser exata, de produções premiadas do cinema canadense a  clássicos do Almodóvar. A família tem uma razoável coleção de dvds,  videogames e jogos de tabuleiro, principalmente para o inverno.</p>
<p>Começo a perceber músculos na parte de trás da coxa que nunca usei  antes, nem quando treinava ginástica artística 35 horas por semana.  Minhas costas não me permitem dormir em qualquer posição, minhas mãos  estão endurecidas.</p>
<p>DIA 24_Acordei antes das sete para a Rando-Ferme, um piquenique coletivo  que começa com uma caminhada de 9 quilômetros e termina com outra  caminhada de 7 quilômetros. Marielle e Jonathan iriam direto ao local do  almoço para vender tomate, alface e uma salada pronta. Acompanhei  Trisha no percurso de ida, que me pareceu levar mais de três horas – mas  sem relógio, celular ou vontade de medir o tempo, fica difícil fazer  uma estimativa precisa.</p>
<p>Estávamos em companhia de mais de 100 pessoas. Juntos, mas cada um no  seu ritmo, subimos morros, descemos morros, adentramos bosques, campos  de girassol, fazendas e ateliês locais. Várias bicicletas nos  ultrapassavam, mas acabavam ficando para trás nas ladeiras. Alguns  poucos fizeram o percurso a cavalo.</p>
<p>No vilarejo consegui medir a extensão desse curto intercâmbio. Pela  primeira vez me senti em casa. Conhecia todas as famílias vizinhas, as  crianças lembravam de mim, entendia o que as pessoas falavam, conseguia  responder com certa facilidade, sabia quem tinha voltado de férias, quem  tinha sarado da catapora e até oferecia a bochecha esquerda primeiro na  hora dos dois beijinhos.</p>
<p>Conhecemos um casal de Luxemburgo que também está na região e descobrimos que eles fazem <em>wwoofing</em> “de luxo”: trabalham as mesmas horas que nós, mas dormem em um quarto  de verdade, com cama de verdade e um banheiro de verdade, além de  exclusivo. Eles ofereceram a Trisha um intercâmbio de fazendas. Querem  conhecer o <em>wwoofing</em> radical, <em>hardcore</em>, na veia. <em>Yurt</em>, barracas de acampamento, banheiros secos e todo o glamour da nossa vidinha.</p>
<p>Assim que vi uma roda se formar, corri para me somar à dança occitana. É  um estilo musical da região e cada música tem sua coreografia, simples e  repetitiva, mas deliciosa e sempre em pares, que fazem rodízio durante a  canção.</p>
<p>DIA 26_Adiei minha partida da fazenda em um dia porque Salomé só chegou  ontem de férias e quis curtir aquelas risadas mais um pouco. Minhas mãos  manchadas e meus cabelos emaranhados estão iguaizinhos aos de Jonathan.  O bronzeado de agricultor desisti de buscar quando vi as marcas das  mangas de camisa nos braços dele. E minhas axilas já não são mais <em>à la</em> francesa. Depois de renunciar à cera e à gilete o mês inteiro, ontem  raspei tudo. Mais como um ritual de encerramento do que uma necessidade.</p>
<p>Meu último dia começou como sempre: com o sol nascendo por detrás do  bosque, um copo de leite integral puro e as batatas. Carregamos dois  engradados inteiros e cortamos os pés de alface mais volumosos, lindos e  brilhantes que o planeta Terra já brotou.</p>
<p>Depois do almoço tudo correu muito rápido. Fechei minhas malas deixando  para trás as roupas de trabalho e muitas fitinhas do Senhor do Bonfim,  me despedi da minha botina e do chapéu de palha. Era hora de passá-los  adiante.</p>
<p>Minha última visão foi de Trisha e Marielle, com Salomé no colo,  acenando do lado de fora do vagão. Quando me despedi de Jonathan na  fazenda, semeamos a ideia de repetir a dose ano que vem.</p>
<p>Cheguei de noite à cidade seguinte do meu roteiro de férias, e descobri  que não havia mais ônibus para me levar ao albergue – ele ficava no topo  de um morro distante 2 quilômetros. Os táxis também não passavam. Mas  carregar bagagem pesada já não era problema. Olhei meu reflexo em uma  vitrine e perguntei a mim mesma: “Você tem noção de quantos quilos de  batatas carreguei hoje de manhã?”</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arnug.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arnug.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arnug.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arnug.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/arnug.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/arnug.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/arnug.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/arnug.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arnug.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arnug.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arnug.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arnug.wordpress.com/95/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arnug.wordpress.com/95/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arnug.wordpress.com/95/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=95&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Turcos decidem se ficam mais próximos da Europa</title>
		<link>http://arnug.wordpress.com/2010/09/12/turcos-decidem-se-ficam-mais-proximos-da-europa/</link>
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		<pubDate>Sun, 12 Sep 2010 16:59:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Folha de S. Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Folha de São Paulo (12/09/2010) (original na internet) No aniversário de 20 anos do golpe de Estado mais recente na Turquia, 50 milhões de pessoas vão às urnas hoje para votar um pacote de emendas à Constituição de 1982, feita pelos militares. Rara democracia muçulmana, ponte entre o Ocidente e o Oriente Médio e membro [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=58&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong> Folha de São Paulo (12/09/2010)<br />
(<a href="http://www1.folha.uol.com.br/mundo/797491-turcos-decidem-se-ficam-mais-proximos-da-europa.shtml" target="_blank">original na internet</a>)</strong></p>
<p>No aniversário de 20 anos do golpe de Estado mais recente na Turquia, 50 milhões de pessoas vão às urnas hoje para votar um pacote de emendas à Constituição de 1982, feita pelos militares.</p>
<p>Rara democracia muçulmana, ponte entre o Ocidente e o Oriente Médio e membro da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Turquia há quase uma década vive a tensão entre os islâmicos no poder e os generais e juízes que se veem como guardiães do secularismo, sobre o qual o país foi fundado no começo do século passado.</p>
<p>O plebiscito de hoje novamente opõe essas forças. O que se supunha uma vitória tranquila do governo acabou se convertendo em uma disputa ferrenha. É também um teste de popularidade para o premiê Recep Tayyip Erdogan, no poder desde 2002.</p>
<p>Alardeado como mais um passo em direção à entrada da Turquia na União Europeia, o referendo apoiado pelo Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco) muda vários artigos.</p>
<p>Exemplos são a proteção de dados pessoais, programas de ação afirmativa, negociação salarial coletiva e o fim da imunidade aos militares envolvidos no golpe de Estado de 1980.</p>
<p>Mas o fato de a Comissão Europeia não ter endossado totalmente essa eleição, e de nações como Alemanha e França serem abertamente contra a adesão turca, fez com que a oposição se levantasse contra o referendo.</p>
<p>Entre as mudanças mais polêmicas do pacote estão quatro artigos que dão ao Executivo o poder de indicar juízes para o Tribunal Constitucional e limitam a duração dos mandatos.</p>
<p>O principal partido de oposição, o Partido do Povo Republicano (CHP), acusa o AKP de tentar tirar a autonomia do Judiciário, outro bastião secular.</p>
<p>Já o governo critica o que considera um excesso antidemocrático de poder do Tribunal Constitucional e do Supremo Tribunal de Juízes e Promotores.</p>
<p>DIVERGÊNCIAS</p>
<p>Ataques à parte, o resultado do referendo tende a mostrar mais sobre o apoio que o AKP mantém entre a população do que a opinião da sociedade sobre as propostas. O engenheiro Azem Alptekin, 28, critica o pouco debate e esclarecimento sobre o texto em votação. &#8220;Eu nunca votaria no AKP, mas acho que essas mudanças serão boas para nós&#8221;, diz.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arnug.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arnug.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arnug.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arnug.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/arnug.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/arnug.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/arnug.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/arnug.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arnug.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arnug.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arnug.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arnug.wordpress.com/58/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arnug.wordpress.com/58/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arnug.wordpress.com/58/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=58&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<title>Crossing Bridges</title>
		<link>http://arnug.wordpress.com/2010/08/14/crossing-bridges/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Aug 2010 17:20:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Inglês]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Vídeo produzido durante o 5o Congresso Mundial da Juventude em Istambul, Turquia.<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=134&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vídeo produzido durante o 5o Congresso Mundial da Juventude em Istambul, Turquia.</p>
<span style="text-align:center; display: block;"><a href="http://arnug.wordpress.com/2010/08/14/crossing-bridges/"><img src="http://img.youtube.com/vi/pfhk9s9Y7Rs/2.jpg" alt="" /></a></span>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arnug.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arnug.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arnug.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arnug.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/arnug.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/arnug.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/arnug.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/arnug.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arnug.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arnug.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arnug.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arnug.wordpress.com/134/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arnug.wordpress.com/134/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arnug.wordpress.com/134/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=134&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Laptop na praça</title>
		<link>http://arnug.wordpress.com/2010/06/01/laptop-na-praca/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Jun 2010 01:05:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Revista Galileu]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Revista Galileu, junho/2010 (original na internet) Como Cabo Verde, na África, vai oferecer acesso total e gratuito à internet O estudante de eletrônica Ellydy Carvalho, de 18 anos, acaba de se juntar aos amigos no banco da praça Alexandre Albuquerque, na Cidade da Praia, capital de Cabo Verde. Ele tinha sido obrigado a passar em [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=129&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Revista Galileu, junho/2010</strong><br />
<strong>(<a href="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI142639-17933,00-LAPTOP+NA+PRACA.html" target="_blank">original na internet</a>)</strong></p>
<p><em>Como Cabo Verde, na África, vai oferecer acesso total e gratuito à internet</em></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img title="A praça é deles: o estudante Agostinho Semedo utiliza um dos 16 pontos com acesso gratuito à rede espalhados pelo país africano (Foto: Ana Carolina Moreno)" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,41016531,00.jpg" alt="" width="600" height="400" /><p class="wp-caption-text">A praça é deles: o estudante Agostinho Semedo utiliza um dos 16 pontos com acesso gratuito à rede espalhados pelo país africano (Foto: Ana Carolina Moreno)</p></div>
<p>O estudante de eletrônica Ellydy Carvalho, de 18 anos, acaba de se  juntar aos amigos no banco da praça Alexandre Albuquerque, na Cidade da  Praia, capital de Cabo Verde. Ele tinha sido obrigado a passar em casa  para recarregar a bateria do laptop. Mas, agora, estava de volta a um  agitado point da cidade: o ponto de internet sem fio gratuito instalado  pelo governo do país africano.</p>
<p>“Para que vou  pagar se tenho rede de graça?”, diz o Ellydy. O garoto, que nunca saiu  do arquipélago de nove ilhas e quase meio milhão de habitantes a 640  quilômetros do Senegal, representa a primeira geração conectada do país:  a dos jovens que já têm contato com a tecnologia desde o ensino médio e  começam a tirar proveito do KoneKta, o programa-piloto que o governo  colocou em prática na capital há um ano e pretende estender a todo o  país até 2015, ao custo de R$ 100 milhões.</p>
<p style="text-align:left;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class=" " title="(Crédito: Bruno Cesar)" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,41016558,00.jpg" alt="" width="600" height="500" /><p class="wp-caption-text">(Crédito: Bruno Cesar)</p></div>
<p style="text-align:left;">A ideia abre um ousado panorama: tornar um país pobre, que enfrenta uma  crise energética, umas das primeiras nações do globo totalmente  plugadas. Até agora foram instalados 16 hotspots. Nas universidades,  também equipadas com pontos de internet, é ainda mais comum encontrar  notebooks abertos no saguão, nas salas de aulas e mesmo nos jardins.  Vale lembrar que Cabo Verde mantém todas as suas 150 mil crianças na  escola.</p>
<p>“Vivemos em um momento de  conectividade”, afirma Octavio Almeida, Ministro da Educação e Desporto.  Ele explica que buscou apoio de empresas como a Microsoft e a Intel  para capacitar tecnologicamente os cerca de 8.000 professores do país.</p>
<p>Essa parceria é realizada dentro do Programa Mundo Novo, que  promete a instalação de PCs com acesso à rede em todas as escolas. O  tripé da inclusão digital se completa com as linhas de crédito para  oferecer computadores mais baratos à população. Portanto, tenha inveja:  enquanto você se espreme em busca de um wi-fi gratuito, na África surge o  modelo de um admirável —e inevitável — mundo conectado. E de graça.</p>
<p style="text-align:left;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img title="(Crédito: Bruno Cesar)" src="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,41016559,00.jpg" alt="" width="600" height="600" /><p class="wp-caption-text">(Crédito: Bruno Cesar)</p></div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arnug.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arnug.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arnug.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arnug.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/arnug.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/arnug.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/arnug.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/arnug.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arnug.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arnug.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arnug.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arnug.wordpress.com/129/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arnug.wordpress.com/129/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arnug.wordpress.com/129/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=129&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<media:content url="http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,41016531,00.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">A praça é deles: o estudante Agostinho Semedo utiliza um dos 16 pontos com acesso gratuito à rede espalhados pelo país africano (Foto: Ana Carolina Moreno)</media:title>
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			<media:title type="html">(Crédito: Bruno Cesar)</media:title>
		</media:content>

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			<media:title type="html">(Crédito: Bruno Cesar)</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>Presídios e contradições do Brasil chocam plateia na ONU</title>
		<link>http://arnug.wordpress.com/2010/03/16/presidios-e-contradicoes-do-brasil-chocam-plateia-na-onu/</link>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 22:18:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Português]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Terra Magazine]]></category>

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		<description><![CDATA[Terra Magazine, 16/03/2010 (original na internet) O único evento paralelo organizado pelo Brasil na 13ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durou apenas duas horas, nesta segunda-feira, 15/3, mas foi o suficiente para fazer o Governo do Espírito Santo reconhecer pela primeira vez que em seu sistema prisional se cometem delitos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=111&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Terra Magazine, 16/03/2010</strong><br />
<strong>(<a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI4322853-EI6578,00-Presidios+e+contradicoes+do+Brasil+chocam+plateia+na+ONU.html" target="_blank">original na internet</a>)</strong></p>
<p>O único evento paralelo organizado pelo Brasil na 13ª sessão do  Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, durou apenas duas  horas, nesta segunda-feira, 15/3, mas foi o suficiente para fazer o  Governo do Espírito Santo reconhecer pela primeira vez que em seu  sistema prisional se cometem delitos contra os direitos humanos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 524px"><img title="Painel sobre violações dos direitos humanos no sistema prisional do Espírito Santo (Foto: Conectas Direitos Humanos)" src="http://img.terra.com.br/i/2010/03/16/1471712-2700-cp2.jpg" alt="" width="514" height="290" /><p class="wp-caption-text">Painel sobre violações dos direitos humanos no sistema prisional do Espírito Santo (Foto: Conectas Direitos Humanos)</p></div>
<p>As ONGs Justiça Global e Conectas Direitos Humanos atribuem o êxito do  painel, em grande parte, à reação da plateia. &#8220;Nossa apresentação chocou  as pessoas&#8221;, contou a <strong>Terra Magazine</strong> o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos capixaba, Bruno Alves de Souza.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>- Nem tivemos tempo de responder a todas as perguntas delas, o debate  foi muito bom. As perguntas foram muito fortes, questionaram se não é  contraditório que, no Brasil, que quer atuar agora como líder, ainda  existam essas questões &#8211; atestou, pouco depois do evento.</p>
<p>Em uma sala com mais de 100 pessoas, entre membros das delegações  oficiais de diversos países, ONGs internacionais e funcionários das  Nações Unidas, o Secretário de Justiça do Espírito Santo, Ângelo  Roncalli, começou seu discurso admitindo que a situação de tortura e  maus tratos aos detentos nos presídios capixabas é real e preocupante.</p>
<p>Ele esteve acompanhado por André Almeida e Cunha, Diretor de Políticas  Penitenciárias, do Ministério da Justiça, e pelo juiz Erivaldo Ribeiro  dos Santos, do Conselho Nacional de Justiça.</p>
<p>&#8220;Realmente nos causou bastante surpresa o fato de o governo reconhecer  tudo o que nós havíamos dito&#8221;, afirmou Souza, que denuncia os problemas  no sistema carcerário capixaba há anos e já teve suas críticas ignoradas  publicamente diversas vezes por Roncalli.</p>
<p>Ainda assim, ele afirma que agora volta ao Brasil otimista de que a nova  postura se traduza em ações concretas para devolver a dignidade aos  detentos e a credibilidade ao sistema.</p>
<p>- Não nos causou surpresa a saída que o governo pretende dar, que é a  construção de vagas. Desde que a gente denuncia, eles só falam em criar  vagas, como se esse fosse o problema. O problema é muito maior. Mas  quando eles reconhecem a situação eles têm uma responsabilidade muito  maior de enfrentá-la. Agora não dá para voltar para o Espírito Santo e  permanecer omisso &#8211; explica Souza.</p>
<p><strong>Negativamente exemplar</strong></p>
<p>O caso do Espírito Santo não é o único atualmente sob acompanhamento das  ONGs, mas foi escolhido para o evento paralelo porque é um dos que está  melhor documentado.</p>
<p>O dossiê apresentado revelou uma série de crimes de tortura e submissão  dos presos a situações desumanas, como manter pessoas em contêineres de  metal onde a temperatura ascende a 50 graus. Um dos exemplos mais  simbólicos é o da delegacia de Vila Velha, onde uma cadeia com  capacidade para 36 pessoas chegou a conter, em fevereiro, 235 detentos.</p>
<p>O Espírito Santo também carrega outras estatísticas que surpreenderam a  comunidade internacional: todo mês, 250 pessoas em média ingressam no  sistema prisional, enquanto o número das que o deixam é cinco vezes  menor. Além disso, 70% dos detentos estão encarcerados em prisão  provisória, ou seja, ainda não foram julgadas em definitivo.</p>
<p>Essa porcentagem exorbitante de uma alternativa que deveria ser  excepcional, segundo os especialistas, transgride a Constituição  brasileira e acordos internacionais. Entre as consequências da  superpopulação estão a perda do controle das prisões, as constantes  rebeliões, a forma degradante como se tratam os presos e um alto índice  de mortes brutais que o governo não explica e pelas quais também não se  responsabiliza.</p>
<p>O Brasil ainda teve que se explicar para a ONU por que ainda não  implantou o sistema de prevenção de tortura previsto no Protocolo  Facultativo da Convenção da ONU Contra a Tortura, assinado pelo País em  2007.</p>
<p><strong>Visibilidade</strong></p>
<p>Advogada da Justiça Global e também debatedor do evento, Tamara Melo  explicou que esse não foi o primeiro nem o maior constrangimento pelo  qual o Brasil passou por causa dos abusos cometidos no sistema  prisional, mas que o evento foi bem sucedido no sentido de chamar a  atenção dos meios de comunicação e da opinião pública dentro e fora do  Brasil.</p>
<p>- Mas foi preocupante porque ficou muito claro que a gente não conseguiu  uma resposta do Estado. Diante de tudo o que a gente apresentou ele não  apresentou respostas. Continuou com o mesmo discurso &#8211; afirmou ela.</p>
<p>A advogada explica que, apesar de o grupo de ativistas ter conseguido o  reconhecimento público da gravidade da situação por parte do Estado, a  postura do governo de Paulo Hartung (PMDB) continua sendo a de combater a  superpopulação nos presídios por meio do aumento de vagas no sistema  carcerário.</p>
<p>- Quem trabalha com o sistema prisional sabe que isso não resolve o  problema. O que a gente vê de forma muito clara é uma política de  encarceramento em massa. A superpopulação é um resultado dessa política &#8211;  analisa.</p>
<p>&#8211;</p>
<p><strong>Entrevista &#8211; Tamara Melo: Presídios nascerão superlotados</strong></p>
<p>A advogada da Justiça Global, Tamara Melo, reserva uma previsão  pessimista em relação à situação da segurança pública no Espírito Santo,  que convive com centros de detenções abarrotados. &#8220;A expectativa é de  que vão construir novas vagas, mas esses novos presídios já vão nascer  superlotados&#8221;, declarou a <strong>Terra Magazine</strong>.</p>
<p>Ela foi uma das três panelistas no evento paralelo que ativistas de  direitos humanos realizaram na 13ª sessão do Conselho de Direitos  Humanos da ONU, realizado nesta segunda-feira, em Genebra, na Suíça.</p>
<p>Durante duas horas, eles expuseram os vários crimes de tortura cometidos  dentro do sistema prisional capixaba a uma comunidade internacional que  ficou perplexa.</p>
<p>Leia a entrevista.</p>
<p><strong>Terra Magazine &#8211; Como você avalia o resultado do painel?<br />
Tamara Melo -</strong> Se a gente pensar pelo que a gente queria com esse  evento, ele foi muito bom. Conseguiu dar visibilidade à situação,  apresentar as denúncias para o Estado de forma bem clara. Mas foi  preocupante porque ficou muito claro que a gente não conseguiu uma  resposta do Estado. Diante de tudo o que a gente apresentou, ele não  apresentou respostas. Continuou com o mesmo discurso. O diferencial foi  que o secretário de Justiça (Ângelo Roncalli) reconheceu as nossas  denúncias, a gravidade do que foi anunciado. Ele não analisou denúncia  por denúncia, mas foi aceitando o que foi dito. Disse que realmente é a  realidade, que é dramático. Isso é diferente de outras situações em que  ele negou a existência das denúncias. Mas o que não deu para perceber  foi um esforço para mudar a postura.</p>
<p><strong> Como foi a reação da comunidade internacional?</strong><br />
A impressão que eu tive foi que as pessoas ficaram muito impressionadas,  a plateia entendeu muito rápido do que a gente estava falando, porque  as perguntas que seguiram depois da nossa fala foram bem nos pontos  centrais, no debate. Queriam saber sobre a omissão do Estado, o que o  Ministério Público pode fazer, quem vai monitorar os presídios para  prevenir a tortura. A questão do relacionamento com a sociedade civil  também foi citada, porque já fomos proibidos de entrar em unidades  prisionais, de registrar o que vimos em fotos e filmes, e quando o  painel acabou várias pessoas vieram falar com a gente, sugerindo  propostas conjuntas em outras instâncias internacionais. Nossa  estratégia de monitoramento continua, até porque o problema não acabou.</p>
<p><strong> Essa foi a primeira vez que o governo do Espírito Santo esteve exposto dessa maneira perante a comunidade internacional?</strong><br />
Não foi. A sociedade civil já vem levando várias denúncias  internacionais relativas ao Brasil. Essa não é a primeira nem a última,  nem a de maior constrangimento. Foi importante muito mais pela  repercussão na imprensa. O tema foi levado em todos os jornais e ganhou  visibilidade impressionante, o que é ótimo, porque quando a gente faz  uma denúncia internacional é para isso, para levar pra fora e chamar a  atenção. O Brasil já foi inclusive condenado em tribunais  internacionais. Mas com relação à tortura nada foi dito sobre a  responsabilização do governo.</p>
<p><strong> Qual é a solução para o sistema prisional do Espírito Santo?</strong><br />
O governo ainda está centrado à criação de vagas. Quem trabalha com o  sistema prisional sabe que isso não resolve o problema. O que a gente vê  de forma muito clara é uma política de encarceramento em massa. A  superpopulação é um resultado dessa política. Já fica evidente isso  porque 70% dos presos são presos provisórios. Isso deveria ser uma  exceção, não pode ser regra. Está previsto na Constituição, nos acordos  internacionais. Esse é um dos elementos. Também há a questão da pena  alternativa. O juiz opta por determinar na sentença final a prisão  definitiva, mesmo reconhecendo que há outras opções. Eles determinam  penas altíssimas, por muito tempo, sem justificativas. Determinam a  prisão em regimes fechados quando poderiam já determinar outros regimes  para delitos menos gravosos. O judiciário tem uma grande parcela de  culpabilidade na superpopulação. Eles acham que a prisão é solução para  todos os males. Assim o Espírito Santo vai virar um grande presídio.</p>
<p><strong> E o Estado não tem nem tempo nem dinheiro para construir tantas vagas, não?</strong><br />
A cada mês ingressam 250 presos no sistema prisional e saem 50. Não é só  construindo vagas que a gente vai resolver isso. Mesmo que tivesse  agilidade de construir prisões, e ele não tem, é preciso um procedimento  administrativo, tempo da obra. Ainda que fosse construída uma a cada  mês, não daria conta. O ritmo é muito maior. A expectativa é de que vão  construir novas vagas, mas esses novos presídios já vão nascer  superlotados. É preciso começar a pensar em alternativas. Não dá pra  achar que a superpopulação é resultado do aumento da criminalidade, é em  grande medida culpa da postura dos juízes e promotores. Respaldado em  grande parte pelos meios de comunicação.</p>
<p><strong> Como os meios de comunicação contribuem com o problema?</strong><br />
Reforçando o argumento do medo e da necessidade da prisão. Vários meios  apostam por essa solução. Quem trabalha no sistema prisional tem muito  claro que isso não resolve, acho que é preciso levar essa discussão para  a mídia. No Espírito Santo, muitas vezes alguns meios não tinham  interesse em publicar matérias graves sobre o que estava acontecendo, e  esse interesse foi aumentado depois dessa repercussão nacional e  internacional. Não estou generalizando porque alguns sempre tiveram.</p>
<p><strong> O jornal A Tribuna, que publicava as colunas do Elio Gaspari, decidiu  não publicar justamente o texto dele que falava sobre esse evento na  ONU. Qual foi a reação de vocês em Genebra?</strong><br />
Causou muita preocupação para todos nós porque, além de todas as  delações que estávamos fazendo, esse caso também colocou em questão a  liberdade de imprensa. Isso ficou muito evidente.</p>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arnug.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arnug.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arnug.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arnug.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/arnug.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/arnug.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/arnug.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/arnug.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arnug.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arnug.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arnug.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arnug.wordpress.com/111/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arnug.wordpress.com/111/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arnug.wordpress.com/111/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=111&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Amazon lanza el Kindle para cien países de todo el mundo</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 20:57:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
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		<category><![CDATA[La Voz de Galicia]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[La Voz de Galicia, 07/10/2009 (original na Internet) Costará unos 190 euros e incluirá el acceso a Internet para descargar libros Amazon ha tardado un año y once meses, pero por fin ha permitido que el producto más popular de su tienda en la web, el lector electrónico Kindle, pueda superar la frontera estadounidense. La [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=63&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>La Voz de Galicia, 07/10/2009</strong><br />
<strong>(<a href="http://www.lavozdegalicia.es/sociedad/2009/10/08/0003_8022695.htm" target="_blank">original na Internet</a>)</strong></p>
<p><em>Costará unos 190 euros e incluirá el acceso a Internet para descargar libros</em></p>
<p><a> </a></p>
<div id="cambioTamano">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 326px"><img title="Jeff Bezos, presidente de Amazon, con el Kindle 2 (foto: KIMBERLY WHITE)" src="http://media.lavozdegalicia.es/default/2009/10/08/0012_2635861/Foto/g8p31f1.jpg" alt="" width="316" height="355" /><p class="wp-caption-text">Jeff Bezos, presidente de Amazon, con el Kindle 2 (foto: KIMBERLY WHITE)</p></div>
<p>Amazon ha tardado un año y once meses, pero por fin  ha permitido que el producto más popular de su tienda en la web, el  lector electrónico Kindle, pueda superar la frontera estadounidense. La  empresa, que no revela cuantos e-readers ha vendido desde que la primera  generación del Kindle se puso a venta, el 19 de noviembre del 2007,  anunció ayer que los consumidores ya pueden reservar un ejemplar, que  vale 279 dólares (unos 190 euros). A partir del próximo 19 de octubre  empieza el envío a más de cien países en todo el mundo, incluido España.</p>
<p>Pese a que antes ya se podía comprar un Kindle y  llevarlo fuera de EE.?UU., la novedad es que ahora Amazon ofrecerá  acceso internacional a Internet 3G Wireless, a través de un convenio con  AT&amp;T. Los usuarios del lector electrónico pueden usar esta conexión  gratuita para descargar libros, periódicos, revistas y blogs. Es  posible enviar archivos a través del sistema, pero a un coste de 99  céntimos de dólar por megabyte descargado.</p>
<p>Amazon garantiza, en la página web donde ofrece el  producto, que cualquier libro de su biblioteca se puede ser descargar en  tan solo un minuto, incluso para clientes de fuera del territorio  estadounidense. Sin embargo, el fabricante del aparato que, según  algunos, puede llegar a sustituir los libros en papel solo ha llegado a  la mitad del camino en su intento de internacionalizar el Kindle. Eso  porque el catálogo, que ya acumula más de 350.000 publicaciones, aún no  incluye títulos traducidos a otros idiomas aparte del inglés.</p>
<p>La versión más moderna del <strong>e-reader</strong> de Amazon, el Kindle DX, que es mayor y cuesta 489 dólares (unos 333 euros), no estará de momento disponible.</p>
<p><strong><strong>Millares de libros en uno</strong></strong></p>
<p>Los obstáculos del idioma y la falta de opciones no  deberán mantener lejos de Amazon el mercado internacional. Así como la  primera versión del Kindle desapareció de existencias tan solo cinco  horas después del lanzamiento, la reserva del modelo con Wireless  internacional debe satisfacer a variados públicos, incluso los  estadounidenses que viajan a menudo al exterior y las personas que  creían que el Kindle era demasiado caro. De hecho, además de anunciar la  versión internacional, Amazon también rebajó el precio de su versión  nacional, de 299 a 259 dólares, para aumentar las ventas en la temporada  de Navidad y hacer frente a una competencia cada día más numerosa.</p>
<p>«Kindle es el producto más deseado, regalado y el  campeón de ventas entre los millones que vendemos en Amazon, y nos  contenta poder rebajar su precio», explicó el presidente de la empresa,  Jeff Bezos. Los residentes de otros países que desde hace dos años  anhelan el Kindle pagarán lo mismo que los de EE.UU. para descargar los  libros. La cifra de los lanzamientos es de unos siete euros por título.  La suscripción a diarios cuesta entre 4 y 10 euros al mes. La memoria  de dos gigabytes soporta hasta 1,500 libros.</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arnug.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arnug.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arnug.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arnug.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/arnug.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/arnug.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/arnug.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/arnug.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arnug.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arnug.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arnug.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arnug.wordpress.com/63/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arnug.wordpress.com/63/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arnug.wordpress.com/63/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=63&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Los blogs de EE. UU. deben revelar si cobran por hacer publicidad</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Oct 2009 21:06:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[La Voz de Galicia]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[La Voz de Galicia, 06/10/2009 (original na internet) El Gobierno reconoce el poder de las bitácoras para influir en los hábitos de consumo Por primera vez en casi tres decenios, la Comisión Federal de Comercio de Estados Unidos (FTC, en sus siglas en inglés) actualizó su normativa respecto a las responsabilidades de los anunciantes de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=66&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>La Voz de Galicia, 06/10/2009</strong><br />
<strong>(<a href="http://www.lavozdegalicia.es/sociedad/2009/10/07/0003_8020438.htm" target="_blank">original na internet</a>)</strong></p>
<p><em>El Gobierno reconoce el poder de las bitácoras para influir en los hábitos de consumo</em></p>
<div id="cambioTamano">
<p>Por primera vez en casi tres decenios, la Comisión  Federal de Comercio de Estados Unidos (FTC, en sus siglas en inglés)  actualizó su normativa respecto a las responsabilidades de los  anunciantes de productos y de quienes los promocionan. La nueva regla  también es la primera de la FTC que incluye a los blogueros, a personas  que ofrecen su testimonio y a celebridades.</p>
<p>A partir del 1 de diciembre, todos los dueños de  blogs que publiquen un texto dando su opinión sobre un producto o  servicio deben clarificar a sus lectores si recibieron algún tipo de  pago, en moneda o especie, de la empresa citada. No cumplir la norma  implicará en una multa de 11.000 dólares (unos 7.500 euros) por texto  publicado. Cada caso será investigado y avalado individualmente.</p>
<p>La FTC, un organismo del Gobierno federal de  EE.?UU. para la protección de los derechos de los consumidores, utiliza   la expresión <strong>conexiones materiales</strong> para especificar el hilo que  uniría al anunciante y al promotor del producto. Pero explica que estas  son relaciones «que el consumidor no esperaría» encontrar cuando lee la  publicación. Además del simple pago por probar y hablar de dicho  producto o servicio, estas conexiones incluyen regalos y, por ejemplo,  si el bloguero también actúa junto a la empresa como consultor de nuevos  medios.</p>
<p>Empresas como PayPerPost, que reúne anunciantes y  blogueros interesados en intercambiar servicios, y Hitviews, que hace el  mismo servicio, pero de manera más personalizada y envolviendo a  webcelebridades de YouTube, pueden resultar perjudicadas por la medida,  pues se basan principalmente en la introducción del anuncio dentro del  contenido producido por el usuario.</p>
<p><strong><strong>Protección futura</strong></strong></p>
<p>El directivo-asistente de la división de políticas  de publicidad de FTC, Richard Cleland, afirmó que el aumento del número  de blogueros contratados por agencias de publicidad para promover  productos ha hecho que el organismo actuara. «Considerando que los  medios sociales se han vuelto actores tan significativos en el área de  la publicidad, pensamos que era necesario que nosotros nos  pronunciásemos también», dijo.</p>
<p>Pero el objetivo de la FTC no es tan solo  garantizar la transparencia de la comunicación entre los blogueros y su  público, sino también protegerse de futuras peleas judiciales. Eso  porque, en el 2004, después de años de disputa, el jugador de béisbol  Steve Garvey fue considerado un «portavoz inocente» en el caso de un  programa de adelgazamiento promocionado por el atleta, tras descubrirse  que la propaganda era engañosa.</p>
</div>
<br />  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/arnug.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/arnug.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/arnug.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/arnug.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gofacebook/arnug.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/facebook/arnug.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gotwitter/arnug.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/twitter/arnug.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/arnug.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/arnug.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/arnug.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/arnug.wordpress.com/66/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/arnug.wordpress.com/66/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/arnug.wordpress.com/66/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=66&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></content:encoded>
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	</item>
		<item>
		<title>Microsoft presenta un prototipo de cuaderno con doble pantalla táctil</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 21:08:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
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		<category><![CDATA[La Voz de Galicia]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[La Voz de Galicia, 24/09/2009 (original na internet) Courier es la respuesta al portátil tipo tablet, que desarrolla Apple. Enviar correos electrónicos, visitar su perfil en las redes sociales y otras páginas webs, ordenar imágenes guardadas de estas páginas en carpetas específicas, escribir anotaciones y compartirlas con sus contactos son algunas de las funciones principales [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=68&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>La Voz de Galicia, 24/09/2009</strong><br />
<strong>(<a href="http://www.lavozdegalicia.es/sociedad/2009/09/25/0003_7993620.htm" target="_blank">original na internet</a>)</strong></p>
<p><em>Courier es la respuesta al portátil tipo tablet,  que desarrolla Apple.</em></p>
<div id="cambioTamano">
<p>Enviar correos electrónicos, visitar su perfil en  las redes sociales y otras páginas webs, ordenar imágenes guardadas de  estas páginas en carpetas específicas, escribir anotaciones y  compartirlas con sus contactos son algunas de las funciones principales  del Courier, el nuevo producto del que Microsoft ya tiene un prototipo,  presentado esta semana por la revista de tecnología Gizmodo.</p>
<p>Este cuaderno del futuro percibe los datos (como  direcciones y nombres de contactos, o imágenes) como objetos. De esa  manera, es posible usar los dedos o el bolígrafo stylus para arrastrar  estos datos entre las dos pantallas. La de la izquierda actúa como la  fuente de información, mientras que la derecha se convierte en un  escritorio para la producción del contenido, que puede ser incluso  textos escritos a mano.</p>
<p>Courier es la respuesta de Microsoft al portátil  tipo tablet, el producto que Apple desarrolla y que se esperaba que  fuera lanzado este mes. Sin embargo, los rumores indican que Steve Jobs  solo lo hará público en febrero del 2010, una fecha que puede ser  demasiado tarde. Aparte de Microsoft, que ya está en la fase final del  prototipo, HP también anunció ya que lanzará su candidato, bautizado  DreamScreen, el próximo 11 de octubre, a un precio que oscila entre 170 y  200 euros.</p>
<p>Hasta ahora, los expertos en tecnología votan por  el Courier como el probable vencedor de esta carrera, no solo por su  doble pantalla, sino también por la variedad de herramientas para  agradar a todos los tipos de público.</p>
</div>
<p>&nbsp;</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Asus desarrollará el primer lector de libros o periódicos electrónicos con doble pantalla</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 21:19:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[La Voz de Galicia]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[La Voz de Galicia, 07/09/2009 (original na internet) Este añade nuevos elementos para atraer adeptos al libro de bolsillo. La empresa taiwanesa Asus, que sorprendió el mercado con el primer netbook, una versión más económica de los portátiles, ahora quiere entrar en la ola del nuevo difusor de información: el lector electrónico. El EeeReader, que [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=76&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>La Voz de Galicia, 07/09/2009</strong><br />
<strong>(<a href="http://www.lavozdegalicia.es/tecnologia/2009/09/08/0003_7955769.htm" target="_blank">original na internet</a>)</strong></p>
<p><em>Este añade nuevos elementos para atraer adeptos al libro de bolsillo.</em></p>
<div id="cambioTamano">
<p>La empresa taiwanesa Asus, que sorprendió el  mercado con el primer netbook, una versión más económica de los  portátiles, ahora quiere entrar en la ola del nuevo difusor de  información: el lector electrónico.</p>
<p>El EeeReader, que debe ser lanzado hacia finales  del 2009, no solo viene a competir con los lectores que ya existen en el  mercado, en especial los de las líderes Amazon y Sony, sino que también  añade nuevos elementos para atraer adeptos al libro de bolsillo que  contiene miles de obras y, además, con el que se podrían llegar a leer  los diarios de manera rápida y cómoda.</p>
<p>Asus también pretende instalar en su aparato una  cámara web, un micrófono y un altavoz, para que el usuario lo pueda usar  para hacer llamadas a través de Skype.</p>
<p>Otra novedad es la doble pantalla, que se puede  usar como un libro normal o para hacer dos tareas al mismo tiempo. La  ventaja de Asus es también el precio: la empresa de Taiwán lo quiere  vender por unos 115 euros, casi un 50% menos que el modelo más barato  actualmente.</p>
</div>
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	</item>
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		<title>Hollywood quiere alquilar películas a través de YouTube</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2009 21:18:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>anarina</dc:creator>
				<category><![CDATA[Espanhol]]></category>
		<category><![CDATA[La Voz de Galicia]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia]]></category>

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		<description><![CDATA[La Voz de Galicia, 03/09/2009 (original na internet) La página de vídeos cobraría entre 2,50 y 3 euros por visionar cada filme La industria cinematográfica negocia con la página de vídeos YouTube la posibilidad de instalar un sistema de alquiler a los usuarios que quieran usar esta web para ver películas. Pese a que muchos [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=arnug.wordpress.com&amp;blog=1061274&amp;post=74&amp;subd=arnug&amp;ref=&amp;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>La Voz de Galicia, 03/09/2009</strong><br />
<strong>(<a href="http://www.lavozdegalicia.es/tecnologia/2009/09/04/0003_7947490.htm" target="_blank">original na internet</a>)</strong></p>
<p><em>La página de vídeos cobraría entre 2,50 y 3 euros por visionar cada filme</em></p>
<div id="cambioTamano">
<p>La industria cinematográfica negocia con la página  de vídeos YouTube la posibilidad de instalar un sistema de alquiler a  los usuarios que quieran usar esta web para ver películas. Pese a que  muchos canales ya se benefician de anuncios, YouTube nunca ha cobrado  directamente del usuario. Consciente de que es imposible impedir que las  personas vean películas, la industria cinematográfica, además de  intentar garantizar sus derechos de autor, quiere descubrir si sus  espectadores estarían dispuestos a pagar por la transmisión y abandonar  las descargas ilegales.</p>
<p>Otros servicios, como iTunes, Netflix y las páginas  creadas por los propios estudios (Hulu y Crackle), ya permiten la  difusión de películas bajo demanda. Pero ninguno de ellos tiene la  audiencia de YouTube: 428 millones de visitas solo en el pasado mes de  junio. Es la cuarta página más vista de la red, detrás solo de Google,  Yahoo! y Facebook. De las demás, solo Hulu está entre las 150 más  vistas.</p>
<p>Según el diario The Wall Street Journal, la página  de vídeos de Google negocia desde hace meses este inédito servicio de  cobro directo al usuario. Cerca de 10.000 empleados de la empresa  probarán durante dos meses la nueva estructura, que también permitirá a  los consumidores ver filmes gratis, pero rellenados con anuncios.</p>
<p>YouTube nació como una pequeña página donde los  usuarios podían subir vídeos caseros de todos los tipos de calidad.  Después de ganar popularidad, fue comprado por Google y hoy, además del  liderazgo absoluto y hasta ahora indestructible de este tipo de  producción audiovisual, la empresa intenta conquistar el contenido  producido por los estudios. Usa sus números impresionantes para atraer a  quienes hacen frente a un desafío inmenso: solo en el 2009, se estima  que la caída de los ingresos con la venta de deuvedés sea de unos 595  millones de euros, aunque el total de ingresos seguirá alto, en casi  13.000 millones de euros.</p>
<p>Series y películas ya se consumen de forma masiva  por la web, pero sin beneficios financieros para nadie. Sin embargo, los  filmes que ya se puede encontrar en los canales de los estudios en  YouTube (antiguos y de modesto éxito) son reproducidos por un número  minúsculo de personas, si se compara con los vídeos caseros y los  virales, que en pocos días alcanzan la marca de millones de vistas. El  sistema que YouTube y Hollywood negocian crear, y que cobraría entre  2,50 y 3 euros por película, se estrenaría este mes, pero aún no ha sido  puesto en marcha porque las dos partes no se han puesto de acuerdo  sobre el reparto de los ingresos.</p>
</div>
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